Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 31/05/2022

Em 1969, durante a Guerra Fria, a internet foi criada com o fito de interligar laboratórios. No entanto, com o passar dos anos, outras funções, por vezes nocivas, foram atribuídas a essa tecnologia: a expansão da “cultura do cancelamento”, na qual indivíduos sofrem forte repúdio e exclusão social por eventuais erros. Por conseguinte, deve-se discutir a respeito do imbróglio em pauta, a fim de mitigar seus efeitos.

É lícito postular, a princípio, que a cultura do cancelamento representa a exclusão de membros do corpo social que discordam da opinião majoritária. Nesse viés, é notório que a lei regulamentadora da liberdade de expressão, é desconsiderada pela sociedade contemporânea. Com efeito, o repúdio, por parte da população, à opinião assimétrica se torna um ato extremista e não pedagógico, de modo a interferir na coesão social e civismo da população.

Sob outro prisma, a cultura do cancelamento pode ser válida quando aplicada contra discursos extremistas. É factual que o debate tolerante é de suma importância no que tange à coibição de dilemas sociais no país, haja vista que, de acordo com Descartes, “é fundamental a discussão popular em âmbitos democráticos que visem atenuar os problemas que englobam tal comunidade”. Nesse sentido, o cancelar coletivo evidencia e mitiga impasses que inibem o avanço nacional— discriminação racial, vulgarização de pensamentos nazistas e neonazistas, homofobia, intolerância religiosa.

Infere-se, pois, que o Ministério da Educação, em parceria com a Mídia, deve propagar o ensinamento sobre o uso do poder de opinião e coletividade online, de forma a respeitar o direito à liberdade de expressão, previsto na Constituição Federal, intrínseco ao indivíduo e apenas promover repúdio a discursos extremistas que promovam ódio, com o intuito de promover a tolerância para com pensamentos assimétricos. Somente assim, será possível alcançar a ordem e o progresso— previstos na bandeira nacional— no âmbito da cultura do cancelamento na contemporaneidade.