Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/05/2022
Em certa medida, as redes sociais se transformaram em um tribunal de julgamentos. “Ser cancelado é ser excluído”, explica a psicanalista Anna Carolina Lementy, especialista para falar sobre essa atitude cada vez mais presente nas interações feitas no mundo digital.
A palavra “cancelado” teve mais força no “Big Brother Brasil”. Com o que ganhou destaque está a participação da cantora Karol Conká, que ficou marcada por muito odeio nas redes sociais após sair do BBB 21 com 99,17% de votos publicos para sair do BBB. Segundo a psicóloga Milena Careta, a proporção dos cancelamentos têm aumentado muito ao longo dos últimos anos.
“Hoje, o cancelamento ganhou uma dimensão maior por conta das redes sociais. Isso acaba gerando inúmeros sentimentos nas pessoas, antes mesmo do cancelamento de fato chegar. Há uma preocupação e um medo de ser cancelado publicamente”, comentou Milena.
Logo, “cancelar” é a reprovação de posicionamentos e falas sobre algum tema. O objetivo é boicotar uma empresa ou marca por punição de suas açoes. O cancelamento virtual é baseado em ideias de que as figuras públicas utilizam-se das redes sociais para promover sua produção. Desse modo, ao cometer uma infração considerada grave, o conteúdo por ela produzido assemelha-se a um serviço mal-executado e que deve ser cancelado.
São muitos os fatores que podem levar ao cancelamento. Em geral, a pessoa cancelada agiu em oposição aos princípios e valores morais presentes na sociedade. Como, por exemplo, em posicionamentos homofóbicos, racistas, misóginos ou machistas, xenofóbicos ou ideologicamente contrários ao senso comum.