Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/06/2022
A série “Control Z” narra a história de universitários que tem suas vidas expostas nas redes sociais devido a um hacker, tornando-os alvos de ofensas e exclusão pelos demais. Fora da ficção, casos como o da série não são incomuns, por isso faz-se necessário debater sobre a cultura do cancelamento. Nesse prisma, destacam-se dois fatores: a ideia justiça social e os malefícios para vida do indivíduo.
Em primeira instância, é preciso entender o que é, de fato, o cancelamento. O movimento incentiva as pessoas a pararem de apoiar personalidades e/ou empresas, excluindo-as da comunidade em função de um erro cometido ou de uma conduta reprovável, geralmente envolvendo temas como racismo, LGBTfobia etc. É de suma importância ressaltar que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), 75% da população brasileira participa de modo ativo nas redes sociais, estando envolvidas nestas ações. Por certo, este movimento traz uma ideia de justiça social, pois a população cobra por posicionamentos responsáveis acerca de um determinado assunto, porém isto não ocorre de forma passiva, pois os ataques a reputação do acusado e humilhações públicas são frequentes e características deste movimento.
Em segunda instância, é válido analisar as consequências do cancelamento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde é o estado de bem-estar completo, físico, mental e social. Sob o mesmo ponto de vista, as pessoas “canceladas” não se encontram saudáveis, tendo em vista que a cultura massiva do cancelamento causa danos, principalmente, à saúde mental dos indivíduos. Isto é, a alteração alimentar, ansiedade, depressão, angústia, e até mesmo o suicídio não são incomuns nestes casos. Um exemplo é a cantora Luísa Sonza que foi cancelada após o surgimento de um boato, que levou a população a frequentemente ofende-la e humilha-la nas redes, e isto ocasionou danos ao bem-estar mental da mesma.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para solucionar este impasse. Assim sendo, cabe a Mídia, pois esta é o principal difusor e propagador de informações, criar campanhas de conscientização nos maiores veículos de comunicação, por meio de verbas governamentais, a fim de divulgar as consequências do cancelamento e fazer a sociedade entender problemático é este movimento.