Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/07/2022

A música “Que país é este?” da banda Legião Urbana, no trecho: “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, faz denúncia acerca de diversos problemas sociais, dentre os quais destaca-se a cultura do cancelamento. Esse problema é causado, principalmente, pela ineficácia governamental e pela má influência midiática .

É lícito referenciar, a princípio, o jornalista Gilberto Dimenstein que em sua obra “Cidadão de Papel” retrata um cidadão com direitos adquiridos, mas não usufruídos, isso pela falta de condições oferecidas pelo Estado. Desse modo, no contexto atual brasileiro, isso pode ser percebido em relação à cultura do cancelamento, uma vez que a ineficiência governamental faz com que os direitos à segurança e liberdade de expressão não sejam devidamente garantidos. A partir disso, ocorrem casos de pessoas sendo canceladas por expressarem suas opiniões ou seus comportamentos nas redes sociais, por exemplo.

Além disso, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Percebe-se, então, que a mídia, em vez de proporcionar discussões que aumentem o nível de informação da população acerca das consequências negativas do cancelamento para a pessoa, induz as decisões dos indivíduos baseados em seus próprios interesses. Isso porque a mídia lucra muito com programas de fofoca, por exemplo, e com esse tipo de acontecimento esse lucro é ainda maior, isso porque a crítica a pessoas prende a atenção de telespectadores, fazendo com que o lucro seja ainda maior para essas empresas.

Portanto, para diminuir a cultura do cancelamento, o governo federal deve instituir um comitê gestor para direcionar mais verbas a projetos de fiscalização desse tipo de ação e para campanhas informativas realizadas por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos. Esses conteúdos serão disponibilizados gratuitamente em plataformas de fácil acesso, como o Youtube. Isso será feito a fim de remediar, não somente a ineficiência governamental, mas também o silenciamento midiático.