Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/07/2022
Ao sair do Big Brother Brasil 2021, Karol Konká foi ‘‘cancelada’’ pelo público, ou seja, sofreu inúmeros ataques de ódio virtualmente e perdeu diversos patrocínios por suas atitudes maldosas com outro participante do reality. De fato, as ações de Karol justificam a indignação dos telespectadores, mas é necessário limitar a con-duta derivada de tal espanto, pois a cultura do cancelamento pode causar não so-mente a condenação injusta sob alguém, mas também a não aceitação da evolução de um indivíduo.
É relevante abordar, primeiramente, o quanto a vida de uma pessoa pode ser destruída por um cancelamento feito sob falsas acusações. Recentemente, a canto-ra Luísa Sonza deu uma entrevista contando sobre a época que sofreu diversas a-meaças de morte após ser acusada, sem provas, de ter traído o comediante Whin-dersson Nunes. Infelizmente, muitas das pessoas que propagam mensagens com viés malevolente pela internet não entendem o perigo emocional que podem gerar à pessoa cancelada, e a situação vivida por Luísa pode gerar muitos problemas psí-quicos num indivíduo pouco preparado emocionalmente, como crises de pânico e ansiedade. Portanto, o cuidado ao expor algo sobre a vida de alguém na internet deve ser mais rígido, para que a vida de alguém não seja destruída injustamente.
Consoante a isso, é indubitável que a cultura do cancelamento não abre espaço para o arrependimento do indivíduo. Com a facilidade de acesso ao histórico de opiniões e informações sobre alguém que a internet proporcionou, muitas pessoas são canceladas por atitudes e posicionamentos de anos atrás, pouco importando para os que a atacam se ocorreu arrependimento e mudança. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se um período de liberdade ilusória, já que a normalização do cancelamento faz com que as pessoas não tenham direito ao erro, criando um falso ideal de perfeição.
Portanto, diante dos fatos citados, faz-se necessário que o Ministério da Justiça, órgão responsável pela defesa jurídica, promova leis mais rigorosas aos ataques de ódio no meio virtual, por meio de punições prisionais mais longas ao indivíduo que os propaga. Assim, o Brasil será livre da cultura do cancelamento, e situações como a vivenciada por Karol Konká serão mínimas.