Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/07/2022

Em 1889, o filósofo Raimundo de Teixeira Mendes adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que enfrenta inúmeros empecilhos, como a cultura do cancelamento que está se enraizando na sociedade. Nessa perspectiva, tal panorama se corrobora devido a uma vasta banalização social agregada a uma significativa negligência governamental. Logo, é de extrema prêmencia sanar a problemática em questão.

Diante desse cenário, tal tema é motivado pela falta de políticas públicas que regularizem essa questão. Isso ocorre, principalmente, porque, como já mencionado nos estudos da antropóloga Lilia Schwarcz, há a prática de uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a visibilidade necessária. Sob essa ótica, é perceptível que o reduzido debate sobre a cultura do cancelamento dificultam a mudança dessa situação preocupante. Desse modo, enquanto a desinformação e a assistência precária se mantiverem, tal demanda permanecerá.

Ademais, outro ponto que é cabível salientar é a questão do descaso por parte dos órgãos superiores, visto que não há em meios públicos palestras e rodas de conversas sobre as consequências acerca da saúde física e mental dos que sofrem com o cancelamento. Dentro do contexto exposto, ratifica-se segundo pesquisas do site G1, que são nas redes sociais que ocorre a repressão mais dura dos indivíduos, isso porque pode ser feita de forma anônima e com desconhecidos. Em decorrência desse fato, os punidos podem sofrer com humilhações, ameaças e xingamentos, causando seu isolamento e um grande medo.

Portanto, é de induvitável importância que o governo federal, na condição de garantidor dos direitos individuais do cidadão, promova políticas públicas que visem o solucionamento dessa adversidade. Para tanto, é primordial a implementação de leis que disponibilizem verbas para o estímulo de palestras e bate-papos sobre o tema, de como agir de forma mais leve para auxiliar quem “errou” e a proliferação nas redes sociais sobre os malefícios causados pela dura repressão. Assim, será possível almejar a diminuição dos índices do revés, o maior bem-estar individual e coletivo e o cumprimento da adaptação do lema de 1889.