Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/08/2022
Na obra de José Saramago, ‘‘Ensaio sobre a Cegueira", o autor retrata uma sociedade dominada pelo medo e por falsas concepções, o que acarreta a falta de visão e de aceitação das pluralidades humanas. Sob essa ótica, o cenário perpassado no livro pode ser relacionado à atual conjuntura brasileira em vista dos desafios acerca da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Isso posto, faz-se claro que a negligência governamental e a alienação social agravam essa problemática.
Nesse sentido, cabe destacar a displicência estatal no acesso à plena cidadania. Paralelo a isso, é notório o pensamento de Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, em que o filósofo disserta sobre a sociedade brasileira e sua ineficiência em prover aos habitantes os seus direitos normativos. Nesse sentido, vale ressaltar a falta de cumprimento satisfatório da Carta Magna, como na garantia de acesso à igualdade. Com isso, através da perpetuação da segregação por meio do cancelamento, uma grande parcela da população é excluída diariamente, o que gera um ciclo de desigualdade nas interações sociais.
Ademais, é fato que a alienação populacional fomenta a exclusão. Sob essa perspectiva, faz-se relevante o conceito de Hannah Arendt, sobre a ‘‘banalidade do mal’’, em que a autora define a contemporaneidade como uma comunidade segregacionista. Sob esse prisma, a filósofa ressalta a alienação social - fenômeno que acarreta a incapacidade individual de perceber impasses sofridos por outrem. Por conseguinte, o pensamento de Arendt é consagrado através da constante exclusão de indivíduos por intermédio do cancelamento em massa.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para erradicar a exlusão na sociedade contemporânea. Para tanto, compete ao Estado -órgão de maior importância nacional- fomentar a fiscalização de leis, por meio do destino de verbas ao Poder Judiciário, com o intuito de sanar a desigualdade mediante o cancelamento. Além disso, cumpre à mídia - responsável por informar- criar campanhas de conscientização, através de meios digitais, como as redes socias, com a finalidade de cessar a desinformação. Assim, viver-se-á em um país distante da distopia criada por Saramago.