Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/09/2022

Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito de habitar a sociedade e meios sociais sem quaisquer discriminação. Entretanto, a atual cultura de cancelamento principalmente em redes sociais, impede que os cidadãos usufruam deste direito. Sob tal ótica, a solução do problema pressupõe que se combata não só a invisibilidade das vítimas desta atual forma de opressão, mas também a omissão do estado perante o assunto.

A priori, é imperioso destacar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura que todos os indivíduos fazem jús à direitos básicos, como exemplo, o direito de ir e vir, que ocasiona a benefícios à sociedade, como, conquista de um emprego e um possível lazer no cotidiano. Ocorre que, no Brasil, parte dos cidadãos que vivenciam as mídias sociais, estão distantes de vivenciar tais benefícios, sobretudo por conta da atual e frequente cultura do cancelamento. Portanto, caso continue como forma de tratamento a invisibilidade, os direitos firmados em 1988 permaneceram como privilégios.

Outrossim, a inércia estatal inviabiliza a melhoria na atual situação. A esse respeito, o filósofo inglês John Locke criou o conceito de “Contrato social”, a partir do qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que, por sua vez, garantia os direitos inalienáveis à população. Todavia, a dificuldade vivenciada pelos usuários de meios sociais evidencia que o Poder Público brasileiro se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, findando a uma sociedade sem a obtenção de apoio governamental e sem a conclusão de seus direitos. Desse modo, enquanto se mantiver a omissão estatal, a população será obrigada a conviver com tal situação.

Destarte, é mister que medidas sejam tomadas a fim de combater a problemática. Desse modo, as instituições escolares - responsáveis pela transformação social - devem ensinar os jovens a importância do não julgamento, e da cobrança do estado por providências, por meio de projetos pedagógicos, como palestras, com uso da função conativa da linguagem, convencendo os jovens ao policiamento próprio. A partir disto romper a inércia do Estado, garantindo o tratamento digno previsto pelas Nações Unidas, deixando de ser, em breve, uma utopia no Brasil.