Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/10/2022

Etimologicamente o verbo cancelar deriva do latim “cancellare”, que significa riscar ou eliminar para tornar sem efeito. É temerário, no entanto, cancelar pessoas nas redes sociais por falar aquilo que pensam, visto que o direito à liberdade de expressão é constitucional. Embora o movimento de cancelamento tenha trazido à tona uma série de denúncias de assédio sexual, hoje há uma banalização dele e um desrespeito à liberdade de expressão.

Em virtude da popularização da internet, foi possível debater assuntos relevantes à sociedade, entre eles os de abuso sexual, e percebeu-se então a possibilidade de atingir diretamente àqueles que tiveram comportamentos considerados incorretos ou repreensíveis. Embora já existente, o movimento surgiu nas redes sociais por meio do movimento feminista “#Me Too” e foi potencializado em 2017 com a atriz Alyssa Milano que convidou mulheres a escreverem #MeToo (“Eu também”) no Twitter caso tivessem sofrido assédio sexual. Dessa forma, houve uma punição moral e financeira aos abusadores denunciados.

No entanto, essa ação trouxe muitos problemas e feriu o direito da livre expressão. Diante da facilidade de cancelar alguém, muitos agem de má fé e estimulam ataques virtuais. Segundo o professor e sociólogo Marco Antônio de Almeida, do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, a cultura do cancelamento deriva de causas muito justas, porém adotou uma política de tolerância zero aos erros. Há, portanto, que reavaliar o movimento para que todos sejam respeitados.

Logo, faz-se necessário, antes de qualquer coisa, que o indivíduo se policie, visto que a internet possibilita inúmeros debates. No entanto, compete ao Governo Federal e às grandes redes sociais, como Twitter e Instagran, identificar comportamentos intolerantes, a fim de controlar o cancelamento imoderado e inconsequente, fato este que prejudica moral e financeiramente muitos usuários das redes sociais. Dessa forma, é preciso, além de punições, uma conscientização e um autocontrole, tanto para postar, quanto para cancelar.