Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/10/2022
Com a difusão da mídia social, reações imediatas sobre atos ou fala de pessoas ficaram muito mais acessíveis, já que basta um click para postar algo. Tais reações podem ser tanto positivas quanto negativas, e, quando negativas, culminam em sucessivos cancelamentos, com base no julgamento da sociedade, o que ela acha politicamente correto ou não. A cultura do cancelamento age principalmente sobre artistas, que podem ter proferido falas racistas e homofóbicas, por exemplo, ou não, às vezes podem ter tido posicionamentos dos quais alguns de seus seguidores simplesmente não concordam. Sendo assim, é importante debater sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, suas causas e consequências.
Em um primeiro momento, é necessário entender porque há a grande incidência de cancelamentos na internet. É válido que ocorrem casos como o do cantor Mc Gui, o qual publicou em suas redes sociais um vídeo rindo e debochando da aparência de uma criança que tinha câncer. Nesse episódio, o motivo que o levou a ser cancelado é real e coerente, já que tal atitude foi completamente antiética, sendo o cancelamento um modo de dar voz a uma classe de indivíduos à margem da sociedade e de puni-lo pelo seu ato infeliz. Mas também há muitos casos em que a cultura do cancelamento extrapola seus limites, transformando-se em ódio e ameaças, trazendo uma ideia impossível de vida sem erros.
Ademais, é essencial o entendimento das consequências que isso traz a vida daquele que sofreu com o cancelamento. Como na maioria das vezes o cancelamento vem acompanhado de uma onda de ódio, as celebridades sentem-se acuadas até mesmo para pedir desculpas, além de perderem muitos patrocínios. Todos sentem-se no direito de serem “juízes da vida alheia”, o que culmina em um falso ativismo, já que a única coisa a ser feita é disseminar ódio, sem promover mudanças. E isso tira a chance até de um aprendizado sobre o ocorrido.
Portanto, é necessária a ação do Estado a fim de “acalmar” a cultura do cancelamento, para que ela pare de desvirtuar-se promovendo ódio e ataques. Isso por meio de regulamentação de leis que possibilitem a internet deixar de ser “terra de ninguém”, responsabilizando as pessoas por trás das telas e perfis.