Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/10/2022
Vive-se hoje a cultura do cancelamento (hábito de denunciar e amplificar alguma ação errada praticada por terceiros), através da qual muitos se promovem através da destruição da reputação de outros. Essa prática está enraizada no povo brasileiro, pois até mesmo as campanhas eleitorais (principalmente do Poder Executivo) usam da difamação para deteriorar a imagem do concorrente. No entanto, a cultura do cancelamento fez com que crimes como xenofobia e racismo diminuíssem na internet nos últimos anos.
Partindo desse ponto de vista, essa cultura baseada na delação inibe comentários preconceituosos nas redes devido à visibilidade negativa de seus autores. Portanto, sua forma de atenuar o preconceito na internet é coagindo os possíveis autores através do medo da repercussão. Por outro lado, Segundo a redatora Jô Melo, essa cultura abre espaço para discussões, de modo a promover o debate sobre questões sociais, sendo benéfica no sentido de sensibilizar os cidadãos sobre os problemas da sociedade.
Entretanto, essa prática também pode ser danosa à democracia quando praticada por políticos. Em virtude do tempo gasto com maledicência entre os adversários políticos, quem perde são os eleitores, pois as campanhas políticas da atualidade são desperdiçadas com difamação. Ao passo que seria melhor para os eleitores saberem os planos de governo e propostas, mas essas diretrizes infelizmente ficam em segundo ou até terceiro plano nas campanhas.
Tendo como finalidade restringir a cultura do cancelamento no meio político, essa prática deveria ser banida dos meios de comunicação. Um forma de resolver esse problema seria o controle mais rígido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as mídias nas campanhas eleitorais. De modo a usar da força das redes sociais, o TSE deverá impor aos moderadores das redes a implantação de botões que denunciem quaisquer calúnias políticas. Com a participação da população nesse processo, cada cidadão poderá ser um fiscal. Dessa forma os partidos políticos serão forçados a focar nos planos e propostas de governo, garantindo um processo eleitoral mais limpo e transparente, aonde a população conheça melhor seus governantes e tenha argumentos para cobrá-los posteriorme.