Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/10/2022
No filme polonês “Rede de ódio”, é retratada a atuação do “stalker” Tomasz Giemza, o qual divulga “fake news” e inicia uma onda de publicações hostis para destruir a reputação de uma blogueira do mundo fitness. Nesse aspecto, tal produção propicia a reflexão acerca das facetas da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Assim, nota-se que os danos psicológicos e financeiros despontam como principais desdobramentos desse fenômeno.
Inicialmente, cumpre salientar que essa mazela intensifica o sofrimento psíquico dos internautas. Sob esse viés, observa-se que a agressividade dos rechaçamentos contribui para a desumanização de seus alvos, impossibilitando que esses possam se retratar de forma pacífica. Nesse sentido, cabe mencionar o documentário “A vida depois do tombo”, da ex-participante do Big Brother Brasil Karol Conká, em que a cantora revela sua luta contra a depressão após o cancelamento durante o programa. Dessa forma, as ofensas sucessivas configuram-se como potenciais gatilhos para o surgimento ou agravamento de transtornos mentais.
Outrossim, vale ressaltar que essa tendência também impacta negativamente a estabilidade econômica dos entes. Sob esse prisma, é evidente a influência dos acontecimentos no meio virtual sobre a dinâmica do mundo real, sobretudo na esfera financeira. Nesse contexto, é pertinente reportar ao caso da influenciadora digital Gabriela Pugliesi, a qual, devido a alguns cancelamentos em 2021, perdeu diversos contratos com marcas e patrocinadores, fato que lhe acarretou um prejuízo de mais de dois milhões de reais, segundo o portal de notícias G1. Dessa maneira, verifica-se o poder destrutivo do “tribunal da internet”.
Depreende-se, portanto, que a cultura do cancelamento afeta severamente a saúde mental e os meios de subsistência dos sujeitos. Urge, então, que o Ministério da Educação - órgão encarregado do sistema educacional brasileiro - promova a realização de palestras e debates acerca da importância do uso responsável do direito à liberdade de expressão nas redes, por intermédio da inserção da Educação Digital como disciplina obrigatória na grade curricular das instituições de ensino, a fim de fomentar comportamentos tolerantes e empáticos no meio virtual. Dessarte, coibir-se-ão ações como as de Tomasz Giemza em terras tupiniquins.