Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/11/2022
O programa “Big Brother Brasil” é baseado na dinâmica de confinamento dos participantes, esses são julgados por suas falas e atitudes pelo público. Em paralelo ao contexto atual, a sociedade moderna crítica empresas, famosos e anônimos por suas ações, esse fenômeno é conhecido como cultura do cancelamento. Portanto, a reflexão sobre determinadas atitudes problemáticas é uma via de mão dupla, pois pode causar um linchamento fora e dentro do mundo virtual.
De início, a discussão sobre ações danosas é uma vantagem da cultura do cancelamento. Segundo Lavoisier, “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Sob esse viés, o cancelamento tem o poder de modificar uma questão problemática em um debate que conscientiza pessoas, uma vez que, consegue adentrar em diversos grupos com visões diferentes e abrir conversas sobre temas que devem ser combatidos, como racismo, homofobia, feminicídio etc. Dessa forma, a discussão gerada pelo cancelamento tem potência de mudar comportamentos errados e melhorar a sociedade.
Todavia, o cancelamento também pode gerar uma perseguição fora e dentro das mídias sociais. Nessa perspectiva, a cantora Karol Conká participou do BBB 2021 e sofreu um grande linchamento virtual por conta de suas atitudes no programa. Além disso, o movimento do cancelamento tinha a proposta inicial de provocar uma reflexão sobre determinada atitude, porém atualmente as críticas viraram ataques pessoais que eventualmente tem grandes chances de colocar em risco à vida do atacado, a exemplo, o caso da Karol que foi marcado por diversos comentários racistas e ameças direcionados a ela e sua família.
Dessa forma, o diálogo sobre ações questionáveis e a perseguição nas redes sociais e na vida real são dois contrapontos da cultura do cancelamento. Diante disso, cabe aos gerenciadores das mídias fiscalizarem as postagens de ódio, por meio de um setor voltado para segurança dos usuários, banindo suas contas e denunciando às autoridades os agressores, a fim de evitar que o lichamento coloque em risco a saúde mental e física dos indivíduos.