Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/11/2022

Na Idade Média, perdurava um cenário que a Igreja Católica, instituição mais influente no período, julgava e exterminava indivíduos com ideário distinto do pregado na época, submetendo-os as torturas e, por fim, a morte. Passados séculos, situação similiar, salvaguardando as devidas proporções, ainda pode ser evidenciada, sobretudo, no Brasil, em que pessoas são excluídas e ignoradas, principalmente no mundo cibernético, por possuírem opinões diferentes, na chamada cultura do cancelamento. Nesse ínterim, faz-se necessário analisar a displicência midiática e a intolerância cívica como responsáveis pelo revés.

Nesse viés, é preciso destacar a negligência midiática como forte agravante do cancelamento. Acerca disso, Pierre Bourdieu – insigne sociólogo francês - afirma que os mecanismos democráticos não podem ser convertidos em ferramentas opressoras. No entanto, a mídia revela uma face opressora em frente ao cancelamento dos indivíduos, visto que facilita a propagação de ideologias intolerantes e, ainda, a distorção dos fatos originários, que, por sua vez, corrobora a situação canceladora. Dessa forma, não é justo que tal instituição viabilize a perpetuação de mecanismos injustos, que vão de encontro à ideia de Bourdieu.

Ademais, é fulcral pontuar que a falta de aceitação do pluralismo de ideias, no mundo virtual, promove o preconceito no meio civil. A partir disso, o filósofo estadunidense John Rawls, em seus estudos sobre a justiça, declara que uma sociedade, para ser justa, deve ter a capacidade de tolerar, caso contrário, ela seria então considerada intolerante e, portanto, injusta. Sob essa lógica, a ideia do pensador vai de encontro ao comportamento dos indivíduos em relação às vítimas da cultura do cancelamento, dado que, ao se posicionarem, essas são duramente criticadas por aqueles que discordam do que foi afirmado - os quais fazem uso de palavras ofensivas e de ameaças, disseminando discursos de ódio pelos usuários. Desse modo, é preciso ressignificar essa conduta que tanto prejudica o psicológico das pessoas ‘‘canceladas’’.

Depreende-se, portanto, que é necessário mitigar o cenário de cancelamento instalado na socidade hodierna. Para tanto, urge que as instituições midiáticas - responsável por fornecer informações e, muitas vezes, construir a opinião popular, faça, por meio propagandas, novelas e filmes, obras que venham abordar as consequências negativas do imbróglio, com intituito, sobretudo, de mostrar que os impactos na vida das vítimas não se restrige somente ao cibermundo. Com essas medidas, poder-se-ia ver o Brasil livre dos impasses gerados pela cultura do cancelamento, e ter-se-á a consolidação do esclarecimento visto após a Idade Média.