Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2022

É inegável que o ser humano é violento por natureza, no que se diz à justiça. Na Antiguidade, o lema “olho por olho e dente por dente” era seguido estritamente, onde criminosos eram punidos de seus crimes sendo vítimas de tais, e até hoje, a espécie humana encontra formas violentas para julgar e punir indivíduos, através, agora, das redes sociais. A cultura do cancelamento vem desta lógica, onde usuários mal intencionados se unem para julgar e punir radicalmente ações que repreendem, e a vítima sofre os efeitos negativos em sua saúde mental e carreira principalmente.

Segundo o filósofo genebrino Rousseau, o homem é naturalmente selvagem e violento, capaz de cometer atrocidades contra sua própria espécie (“O homem é o lobo do homem”) e a cultura do cancelamento é mais uma das derivações históricas de violência com a finalidade de fazer justiça. Assim como o cancelamento e as punições da Antiguidade, as ditaduras (como a de Getúlio Vargas) e a caça as bruxas da Europa medieval também expressam a fúria como única solução punitiva, perseguidos políticos e “bruxas” eram mortos cruelmente, sem serem julgados/compreendidos devidamente. Dessa forma, há a manutenção da violência de diversas formas ao longo do tempo, com base em um senso de justiça revolto da espécie humana.

Consequentemente, a partir desse traço intrínseco ao ser humano que segue até os dias atuais, os casos de cancelamentos geram consequências irreparavéis às vítimas. A cantora Carol Konká, por exemplo, ao violentar psicologicamente um colega de reality (Big Brother Brasil 2021) tem sua carreira boicotada até os dias atuais. Sua legião de fãs passou a odia-lá, shows e contratos com patrocinadores foram cancelados e seus conteúdos (dos quais sua carreira se baseia) passaram a ser ignorados. Assim, configura-se uma problemática de traços complexos,que urge solução.

Desarte, é de responsabilidade da Assembleia Geral das Nações Unidas, convocar uma reunião com os 193 países presentes, implementando propagandas, leis, e palestras pelo mundo acerca das consequências do cancelamento, com a finalidade de criminalizar e repreender essa prática, que ultrapassa nacionalidades.