Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 15/11/2022

A cantora brasileira conhecida como Anitta, é um dos maiores nomes da música mundial. A artista representa o país nas premiações internacionais e mesmo com a sua carreira consolidada, ela sofre retaliações diariamente por conta da cultura do cancelamento. Deste modo, torna-se urgente debater a causa e a consequência, respectivamente, desse óbice: a falta de diálogo sobre o tema e a falta de empatia para com o próximo.

Em primeira análise, faz-se necessário analisar o desconhecimento do tema por parte da população que não debate sobre o assunto. Segundo o sociólogo Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - é parte integrante do desenvolvimento social. Desta forma, ao não haver estímulo ao debate a respeito da exclusão de pessoas por por uma visão diferente dos fatos, perde-se o fator transformador da deliberação. Além disso, a lei máxima do país, a Constuição Federal de 1988, garante liberdade de expressão a todos os brasileiros e discorrer sobre a problemática, é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural habermasiano.

Diante dessa situação, as circunstâncias atuais são provocadas por uma falta de empatia que impulsiona o tema de forma negativa. Conforme o sociólogo, Zygmunt Bauman a sociedade atual é marcada pela liquidez, por isso é repleta de relações frágeis, sem empatia, voláteis e fúteis. Essas interações facilitam comportamentos como os de segregação social. Dessa forma, ações precisam ser tomadas.

Mediante a elucidação dos fatos, é dever do Governo, junto ao Ministério da Cidadania, usar de mídias digitais e televisionadas de grande audiência para debater e esclarecer o tema, junto de profissionais qualificados, como sociólogos, psicológicos, juristas e influenciadores para demonstrar as reais consequências do problema, apresentando visão crítica e orientando espectadores. Em adição, cabe ao Ministério da Educação executar campanhas sobre empatia e respeito, ensinando os alunos das escolas a aprenderem a ter harmonia nas relações interpessoais. Desse modo, aplicando a deliberação de Habermas e lutando contra um mundo cada vez mais “líquido” como o de Bauman, situações de ódio como sofrida pela cantora Anitta, se tornarão cada vez mais raras.