Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 03/04/2023
A teoria da sociedade do espetáculo, proposta por Guy Deboard, baseia-se na influência que a pressão popular exerce na vida das pessoas, na qual atitudes e falas são encenadas. Análogo ao pensamento do autor, a cultura do cancelamento faz-se presente na sociedade brasileira, atacando à reputação e julgando comportamentos, apenas para fazer parte do todo. Diante dessa perspectiva, a tênue linha entre transformar debate público em discurso de ódio deve ser analisada, bem como os impactos da falha educação digital.
Nesse contexto, é imprescindível considerar os limites ao julgar atos alheios, de forma que defendam direitos sociais e criem oportunidade de diálogo a todos os envolvidos. Segundo o artigo XXIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos possuem direito à liberdade, condicionados exclusivamente às limitações legais, que tem por objetivo a garantia de bem-estar e ordem pública. Desse modo, compreende-se que é necessária a defesa de princípios éticos nas redes sociais, tendo em vista que garantem a integridade individual, todavia, linchamento e a criação de “embargos” somente distanciam o acusado de repensar seus feitos, por conta da invalidez de sua fala.
Ademais, cabe apontar a violência simbólica que a escassez de ensino tecnológico traz e suas consequências. Conforme Pierre Bordieu, a educação apesar de ser vista como solução, pode ser forma de exclusão, a qual, no cenário da cultura do cancelamento, o uso acrítico das mídias sociais propicia atitudes rudes que desrespeitam os demais usuários. Dessa maneira, a sucessão de comportamentos nocivos perpetua-se, sem que mudanças reais e significativas ocorram.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater a cultura do cancelamento na sociedade Brasileira. É dever do Ministério da Educação promover a ação: “Equidade Brasil”, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. A iniciativa deverá realizar palestras em escolas de ensino básico abertas para a comunidade, acerca da responsabilidade do uso de redes sociais e o impacto do linchamento, educando e demonstrando limites. Espera-se, destarte, que o fim da cultura do cancelamento seja atingido, garantindo igualdade e justiça.