Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/04/2023

“Cultura do cancelamento” é um termo que se refere ao ato de mobilização com fins de cobrar ou boicotar determinada pessoa física ou jurídica. Esse tipo de ato não é algo propriamente novo, contudo, vem ganhando proporções cada vez maiores devido a popularização de tal prática pelas redes sociais. Tendo em vista o crescimento do tema no debate público é preciso frisar alguns pontos positivos e negativos.

Primeiramente, pela perspectiva positiva, esse tipo de mobilização é característica da liberdade de expressão e de associação advinda dos direitos conquistados socialmente no Estado Democrático de Direito. Portanto, é importante destacar que esse tipo de ação permite que a voz de grupos minoritários seja ouvida e respeitada, além de funcionar como um mecanismo de justiça e equilíbrio social. Sendo, dessa forma, originada pelos direitos usufruídos por sociedades abertas que prezam pelas liberdades individuais.

Entretanto, pela ótica negativa, existem razões para se preocupar com a disseminação da “cultura do cancelamento”. Uma vez que se trata de uma forma de punição fora de qualquer ritual processual penal e que, muitas vezes, sequer deixa espaço para o contraditório e para a defesa do presumido “réu”. Assim, colocando a presunção de inocência e o direito de defesa fora do processo de luta contra injustiças históricas e estruturais pretendido pelos “inquisidores” da cultura do cancelamento.

Conforme explicitado, a cultura do cancelamento, apesar de suas mencionadas vantagens, tem falhas que devem ser objeto de reflexão por parte da sociedade. Logo, como meio de ação, ela é perpetuadora de injustiças tão perigosas quanto aquelas as quais pretende combater. Portanto, é necessário que socialmente seja revista a forma de lidar com os erros alheios, sem destruir reputações ou condenar ao ostracismo aqueles que venham a cometer o ato humano de errar.