Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/04/2023
Com a ascensão das redes sociais, houve a democratização do debate público, isto é, os indivíduos ganharam um meio pelo qual podem expressar suas opiniões de forma gratuita e que alcance um grande número de pessoas. Desse modo, naturalmente, a condenação de atos considerados errôneos também começou a fazer parte das comunidades online, isso, contudo, se torna alarmante na medida em que começam a utilizar esse espaço como um modo de buscar justiça com as próprias mãos, não havendo um respeito pelo processo legal e muito menos pelas sequelas causadas à vítima.
Para entender a gravidade desse tipo de atitude, é necessário analisar a transformação do Estado Absolutista para o Estado Contemporâneo. Nesse contexto, Montesquieu, filósofo iluminista, desenvolveu a teoria de tripartição do poder, dividindo-o em legislativo, executivo e judiciário, modelo base para democracia atual. Desse modo, essa estrutura permite a realização de um julgamento justo, algo que não ocorre no cancelamento, pois o povo cria, julga e executa as leis.
Ademais, o cancelamento pode deixar sequelas psicológicas graves além de, muitas vezes, acabar com a única fonte de renda da pessoa, se essa trabalhar com a internet. Nesse sentido, é possível citar como exemplo o caso da influenciadora digital conhecida como Viih Tube que, após sofrer um processo de cancelamento aos 16 anos, tentou cometer suicídio devido à tamanha ridicularização pública que estava sofrendo. Dessa forma, é perceptível a desproporcionalidade da punição advinda da cultura do cancelamento e a necessidade de uma intervenção.
Portanto, é essencial que o Ministério das Comunicações, órgão governamental responsável por políticas públicas no tange a esfera dos meios de comunicação, deve impedir a destilação de ódio em massa pela internet, por meio da instituição de regulamentações das redes sociais. Desse modo, visando a mitigar as ocorrências de cancelamentos desproporcionais.