Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/04/2023

A influenciadora digital Gabriela Pugliesi, em abril de 2020, perdeu diversos contratos com marcas famosas por descumprir com os procedimentos de distanciamento social quando realizou uma festa em sua casa e publicou nas redes sociais, atitude vista como irresponsável pelos seus seguidores. Assim, é perceptível que tal situação exemplifica a realidade contemporânea, visto que a falta de empatia da população e a imprudência no âmbito jurídico ocasionam impactos inimagináveis na vida de pessoas. Diante disso, torna-se imprescindível a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento social.

Primeiramente, à medida em que coloca em risco a integridade moral e a dignidade de quem é alvo do discurso de ódio, a cultura do cancelamento, atrelada a falta de empatia passa a ser manifestação de intolerância. Alfred Adler, psiquiatra escocês, seguidor de Sigmmund Freud, demonstra em sua teoria da Psicologia Individual que os seres humanos são egoístas, principalmente quando atrelados ao interesse social. Assim, as pessoas enxergam somente o erro do próximo, promovendo críticas maldosas que ocasionam várias consequências, entre elas prejuízos financeiros, sociais, traumas psicológicos e emocionais.

Além disso, na atualidade há um descontentamento no âmbito jurídico e uma sensação de que, na internet, se não fizerem o cancelamento, as pessoas não serão punidas. Isso se deve, sobretudo, as contraditórias leis virtuais e ao imediatismo e sensacionalismo provocado pelas redes sociais. Sendo assim, exemplo disso é o caso do jornalista William Waack que foi cancelado, após o vazamento de um vídeo no qual fazia comentários racista, e demitido da Rede Globo. Assim, é notório o impacto desse movimento na vida de uma pessoa.

Em suma, a fim de ressignificar valores morais e garantir uma ressocialização dos “cancelados”, é necessário que os meios midiáticos de maior influência na sociedade, mediante a transmissão de propagandas em programas de televisão e mídias sociais, explicitem a necessidade de um sentimento de empatia coletiva por parte da população. Assim, em médio a longo prazo, os impactos nocivos do confronto entre a cultura do cancelamento e a ressocialização do indivíduo, e situações semelhantes à de Pugliesi não serão presenciadas com frequência.