Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/04/2023

“O cancelamento é uma lógica que não perdoa. Ela não quer educar. Joga fora essa possibilidade de que temos de mudar”. Assim como salientou o coordenador do Núcleo de Estudos em Ética e Política da Universidade Federal de Pernambuco Filipe Campello, a cultura do cancelamento se tornou um problema, sendo necessário gerar um debate sobre essa questão da sociedade contemporânea.

Em primeira instância, a comédia dramática “Not Okay”, escrita e dirigida por Quinn Shephard, narra a jornada de uma jovem mulher que deseja ser famosa e amada na Internet, acabando por fingir ser uma sobrevivente de um atentado. Posteriormente, as pessoas acabam descobrindo a farsa e cancelando-a fortemente, afetando sua vida social na internet e fora dela. A trama leva a refletir sobre o impacto causado pelos ataques virtuais na saúde mental e bem estar, e até que ponto repreensões na internet são aceitáveis.

Ademais, uma pesquisa da Agência Brasil apontou que em um ano, de 2019 até 2020, a palavra cancelamento foi citada quase 20 mil vezes na internet. No ano seguinte, de 2021, ela foi mencionada mais de 60 mil vezes, o que representa um crescimento de mais de 200%. Nota-se que o ato de cancelar as pessoas já virou um hábito, e o objetivo inicial dessa ação, de fazer com que as pessoas percebam seus erros e evoluam, foi a muito perdido, sendo substituído por um passe livre para buscar os erros de outrem e transformar sua vida permanentemente num caos.

Portanto, conclui-se que, o Governo Federal, adjunto ao Ministério da Educação, deve elaborar campanhas de conscientização acerca da problemática apresentada, por meio de propagandas televionadas, palestras em escolas e universidades, e principalmente em postagens nas redes sociais, a fim de desestimular a prática dessas ações, para que o Brasil não sofra mais com a cultura do cancelamento.