Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/05/2023
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher o seu modo de agir, pois este seria livre e responsável pelas suas devidas atitudes. No entanto, nota-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão da cultura do cancelamento no Brasil hodierno. Nesse sentido, é de suma relevância analisar os motivos desse entrave, sendo os mais pertinentes a ignorância dos indivíduos e a ineficácia empresarial.
Em primeira análise, o cancelamento pode ser definido como o fenômeno de disseminação de ódio a uma pessoa ou um grupo com atitudes que contrapõem a da maioria, com o fito de acabar com a sua posição de influência ou fama. De igual modo, esse contexto está presente na aclamada série da Netflix “Control Z” onde, pelos comportamentos questionáveis de Natália, ela acaba sendo altamente criticada pelos alunos do colégio “El Nacional”, tendo um forte impacto negativo em sua saúde mental. Fora da ficção, essa situação pode-se dizer similar à de diversos brasileiros que, mesmo sem nenhum feito prejudicial a sua comunidade, acabam sendo alvo de árduas críticas, desencadeiando-os fortes abalos emocionais, como também havendo o sofrimento com a sua difícil reinserção social.
Nesse sentido, é inegável que o escasso interesse midiático em assegurar a segurança individual nos meios de comunicação colabora com a perpetuação do entrave. Nessa perspectiva, a Primeira Revolução Industrial, grande período de desenvolvimento tecnológico iniciado no século XVIII, pode ser considerado o estopim do capitalismo, caracterizado pela intensa busca do lucro excessivo por parte das empresas. Dito isso, percebe-se que, com a alienação desses empreendedores pela obtenção de ganhos financeiros devido a esse marcante momento histórico, eles esquecem de investir em formas de proteção ao usuário e impedimento da propagação de rancor, o que contribui com a opressão virtual.
Diante do exposto, é notório a necessidade de medidas para a resolução do impasse. Logo, urge que o Poder Legislativo - órgão responsável pela criação de leis - condene as empresas virtuais que não se dedicarem a proteger os seus desfrutadores, por meio da síntese de medidas constitucionais, com o fito de eliminar com os impactos causados pela própria sociedade em si mesma.