Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/06/2023

Cancelar pode ser definido como o ato de julgar e condenar as atitudes alheias. Nesse sentido, sua prática é comum às populações humanas pela história, em ra-zão da importância de sua função social -desincentivar atrocidades e combater in-justiças- para o convívio em comunidade. Na atual conjuntura brasileira, no entan-to , com o desenvolvimento do meio digital e, por consequência, reestruturação de instituições sociais, este fenômeno vem perdendo seu significado histórico, transformando-se em mera cultura do cancelamento. Isso é danoso ao ambiente democrático, pois fere princípios da democracia e prejudica o bem-estar da nação.

A cultura do cancelamento aliena a sociedade. No livro “1984”, de George Orwell, um governo autoritário, para dominar o povo, delimita, por intermédio do Ministé-rio da Verdade, o que pode, ou não, ser dito. A internet age de modo análogo a es-te ministério, visto que, por gerar, no usuário, o medo de uma reação negativa massiva, inibe o diálogo sobre determinados tópicos, controlando a percepção do indivíduo da realidade.Dessa forma,por controlar a realidade e,consequentemente, as pessoas, priva-lhes de livre-arbítrio, essencial à democracia.

Ademais, fomenta atrocidades. Na contemporaneidade, a estrutura de monetiza-ção das redes sociais –baseada em visualizações- leva os criadores de conteúdo a tentar atrair o máximo de atenção possível, para tal, tentam divergir da maioria o que, muitas vezes, inclui discurso de ódio e outras infrações penais.Para mitigar es-ses comportamentos, o cancelamento é aplicado, seja por particulares, seja pelas plataformas. Todavia, devido ao efeito Streisand – em que uma tentativa de censu-rar uma informação causa a sua vasta replicação-, os infratores se beneficiam dis-so. Logo, por incentivar a realização de crimes, é prejudicial ao bem estar coletivo.

Urge,portanto,que o Governo Federal combata a futilização do fenômeno do cance-lamento, por meio da implantação de campanhas de conscientização, com o intuito de fomentar o pensamento crítico e,a longo prazo,evitar a manipulação do cidadão. Concomitantemente, empresas, como “Facebook” e “Youtube”, devem repensar su-as estratégias de remuneração,com o fito de abrandar as consequências deste pro-blema. Assim, através da asseguração de direitos e promoção do bem comum, res-taurará a função social do fenômeno e tornará o Brasil um país mais justo