Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 07/07/2023

De acordo com a etimologia, a palavra “crítico” refere-se a alguém fundamentado em critério, ou seja, em fatos reais. Em paralelo à atualidade, uma nova cultura em relação à palavra passou a ser edificada, sendo, dessa forma, contrária à etimologia. Assim, deve haver o debate a repesito das consequências da cultura do cancelamento no território nacional.

Sob tal prisma, a cultura do cancelamento é tida como positiva quando o corpo social, fundamentado em critério, afasta-se da alienação propagada pelos meios digitais. Logo, esse movimento social intrínseco ao avanço da internet dá voz a causas e pessoas que são, socialmente, oprimidas e marginalizadas. Ademais, é importante ressaltar o contexto do primeiro “cancelamento”, que, de acordo com a revista British Broadcasting Coporation, BBC, teve seu início com um levante social digital em prol de mulheres que relatavam seus casos de abusos sexuais na “rede” em busca de justiça. Venturosamente, com a sucetiva repetição desses atos ao redor do mundo, a justiça foi alcançada..

A partir da contextualização exposta, faz-se necessário analisar as consequências negativas do cancelamento. Sob esse viés, ao focalizar as mídias digitais, como Instagram e Twitter, evidencia-se o gasto de tempo com questões de pequeno impacto a longo e curto prazo, pois tem-se como causa primeira do cancelamento, a oposição com as ideias do cancelador. Em síntese, é claro que o ato de cancelar afastou-se, com o tempo, da busca pela justiça e aproximou-se do egocentrismo. Além disso, a liberdade de expressão, garantida por meio da Constituição de 1984, torna-se um instrumento de repressão, já que ir contra os ideais de um dado grupo social, pode impactar, negativamente, a vida do cancelado. Na esteira desse processo, é evidente a carência de discernimento frente à algumas questões.

Por fim, urge que haja um maior debae acerca da cultura do cancelamento, que traz benefícios e malefícios em proporções similares. Para isso, o Estado, na figura do Ministério da Educação, deve criar projetos que busquem mediar os debates digitais. Tal proposta deve ser realizada por meio de campanhas divulgadas nos meios digitais, a fim de edificar uma sociedade crítica, de acordo com a etimologia dessa palavra.