Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/11/2024

De acordo com a Constituição Federal de 1988, a liberdade de expressão é um direito de todos. Entretanto, nem todos os brasileiros compreendem que o limite termina quando prejudica o outro, haja vista que a manipulação midiática e a apatia social contribuem para a cultura do cancelamento no país.

Nesse cenário, é válido ressaltar o domínio da mídia sobre a opinião popular. Isso posto, no filme “Garota Exemplar” , retrata um suposto feminicídio com o marido sendo o principal suspeito, os jornais projetam no imaginário popular o companheiro como agressivo e um possível assassino, quando na verdade estava injustiçando um inocente. A partir desse viés, percebe-se que programas jornalísticos usam do sensacionalismo e podem fugir da função referencial para a apelativa da linguagem. Desse modo, é inegável afirmar a crueldade da imprensa em persuadir o telespectador ao refletir o mesmo pensamento que lhe foi imposto, a raiva generalizada.

Paralelo a isso, vale ressaltar também a ausência de empatia como obstáculo para a vivência harmoniosa. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o egoísta é aquele que não se preocupa com o que acontece com o outro, desde que consigo esteja tudo bem. À luz dessa perspectiva, o indivíduo que é cancelado socialmente, será perseguido por julgamentos devido a algo que fez ou faz que é considerado imoral pela sociedade, essa perseguição são daqueles que não se colocam no lugar do outro, pois não está inserido na conjuntura. Além disso, impossibilita a interação de qualidade em qualquer círculo social. Sob essa ótica, é indiscutível a falta de consideração com o próximo como empecilho para o respeito.

Fica esclarecido, portanto, a necessidade de uma medida para a redução do cancelamento cultural no país. Nessa lógica, é imperativo que o Estado promova um programa pedagógico para a população lidar com as diferenças, por meio de uma propaganda divulgada em rádio e televisão que informe sobre os limites da educação com o próximo. Ademais, nessa mesma campanha, seja usada a função conativa da linguagem para convencer o receptor a reproduzir a mensagem informada. Feito isso, uma nação respeitosa fará parte da realidade nacional e poderemos seguir de forma coesa o que diz o código federal.