Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 28/07/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê a todos o acesso à saúde de qualidade. No entanto, quando se analisa o grave estigma associado à obesidade no Brasil, percebe-se que esse direito não é uma realidade plena para os brasileiros acima do peso. Esse quadro degradante é fruto tanto da omissão estatal quanto do egoísmo de alguns empresários. Assim, faz-se necessário aprofundar a análise das raízes desse problema.

Inicialmente, é fulcral pontuar que a falta de políticas públicas agrava a situação dos obesos. Segundo  Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, mas isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, devido à falta de campanhas informativas que esclareçam as consequências devastadoras da gordofobia, o preconceito cresce e destrói a saúde mental das pessoas. Consequentemente, aumenta-se a ansiedade, depressão e aumenta ainda mais o consumo de alimentos. De acordo com Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, a aversão aos obesos está presente na rotina de 92% dos brasileiros. Logo, é inaceitável que o Brasil, embora queira se tornar um país desenvolvido, negligencie seus cidadãos dessa maneira.

Adicionalmente, cabe citar que o egoísmo de algumas empresas agrava o preconceito aos obesos. Conforme a teoria marxista, quando se prioriza o lucro em detrimento do bem coletivo a sociedade entra em colapso. Nesse contexto, a indústria de cosméticos e roupas contribuem para o aumento da aversão à gordura na sociedade, visto que usam modelos magros na grande maioria das campanhas publicitárias, o que infelizmente piora a autoestima de obesos e gera isolamento social, uma vez que se sentem incapazes de atingir o corpo ideal. Nesse viés, enquanto o preconceito for uma regra na sociedade brasileira, a dignidade dos obesos será uma exceção.

Portanto, medidas práticas precisam ser tomadas para reverter este quadro. Dessarte, a fim de acabar com a gordofobia no Brasil, o Ministério da saúde deve, por meio de programas de rádio e TV, realizar campanhas informativas sobre os malefícios que o preconceito contra obesos traz para a saúde dessas pessoas, especialmente direcionados às comunidades pobres onde não há acesso a bons profissionais de saúde. Ademais, o Ministério da Economia deve criar incentivos fiscais para empresas de cosméticos e roupas que usem modelos acima do peso considerado ideal em suas campanhas publicitárias, a fim de aumentar a autoestima das pessoas obesas. Somente assim, a Constituição deixará de ser teoria e tornar-se-á uma realidade para todos.