Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 29/07/2021

Platão e a sociedade greco-romana acreditavam que a pessoa gorda seria aquela desprovida do desenvolvimento racional, pois ela se entregaria aos prazeres da carne e, durante a Idade Média, a Igreja Católica condena a gula a um dos sete pecados capitais. Essa eugenia histórica mostra como o preconceito a pessoa gorda se naturalizou, levando em consideração a teoria dos fatos sociais de Émile Durkheim, pois indivíduos de diferentes gerações cresceram em uma sociedade com padrões culturais gordofóbicos.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) afirma que o aumento de peso não ocorre apenas por falta de disciplina ou de responsabilidade social, mas sim por efeitos biológicos, metabólicos e genéticos, por conseguinte, a obesidade não pode ser resumida a entrega dos prazeres da carne e a discriminação pelo peso não podem ser tolerados. Além de doenças associadas a obesidade, pessoas gordas são propícias a uma dificuldade de acesso ao mercado de trabalho e acessibilidade, assentos especiais em aviões, ônibus, etc, por exemplo, o que afeta suas relações sociais e mentais. Crianças com sobrepeso tem maiores chances de serem vítimas de bullying, comparadas a crianças magras, o que aumenta o risco de desenvolverem depressão  e transtornos alimentares.

O padrão de beleza do corpo magro fica ainda mais evidente em discursos preconceituosos disfarçados por preocupação com a saúde, pois, na realidade, estão bem mais preocupados com a aparência física do que com o bem-estar. Na moda, pessoas gordas são excluídas e alvos de comentários hostis, citando caso análogo do Grammy Awards de 2020, quando a modelo Tess Holiday foi críticada pelo uso de um vestido que poucos meses depois, quando usado por pessoas no padrão de beleza, viralizou nas redes sociais. Dessa forma, é explícito como tendências e a própria moda em si ficam restritas a pessoas magras e a gordofobia, mais uma vez, é normalizada.

Em virtude do que foi mencionado, é necessário que comentários de aversão a pessoas gordas não sejam mais aceitos ou encarados com naturalidade. O Ministério da Educação deve se responsabilizar pela criação de projetos contra bullying e o investimento na educação se faça essencial, pois o estigma deve ser combatido com informação. É urgente que a publicidade e a moda, como elementos de manifestação, atendam a necessidade da inclusão de pessoas gordas e a normalização de corpos fora de padrões de beleza, para que, assim, suas indústrias contribuam para o fim dessa eugenia histórica.