Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 29/07/2021
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o debate sobre a gordofobia no Brasil, verifica-se que esse ideal consta na teoria e não desejavelmente na prática, seja pela falta de acessibilidade em lugares públicos para pessoas acima do peso; seja pela necessidade de maneiras mais diversificadas de avaliar a saúde.
Em primeiro plano, é importante ressaltar como a falta de acessibilidade em lugares públicos potencializa a gordofobia no Brasil. Dessa forma, transportes e espaços públicos como shoppings, restaurantes e banheiros que são projetados apenas com intuito de atender o que é considerado dentro do “padrão”, não comporta as necessidades das pessoas com excesso de peso. Assim, além de gerar uma exclusão dessas pessoas, pela inacessibilidade de assentos, portas e catracas, afeta o bem-estar e a saúde mental , por gerar sensações como de ansiedade e constrangimento. Segundo dados da revista Veja Saúde, mais de 40% das pessoas acima do peso já se sentiu excluída de frequentar algum espaço público.
Outrossim, destaca-se a utilização equivocada de fatores como o peso e o IMC (índice de massa corporal) como forma de definir a saúde das pessoas. Segundo estudo da Universidade de Los Angeles, usar o IMC para determinar o índice de saúde resultou na classificação errada de mais de 54 milhões de americanos saudáveis. Diante do exposto, é notável como o IMC, que avalia seu estado com base na altura e no peso é bastante simplório, pois não verifica todos os fatores como alimentação, hormônios, vitaminas e o estilo de vida. Além de poder caracterizar pessoas acima do peso saudáveis como pessoas doentes e contribuir para gordofobia no Brasil, que é um tema pouco debatido e com muitos preconceitos . Logo é inadmissível que cenário continue a perdurar.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução desse impasse. O governo Federal, deve, por meio de projetos e aplicações de lei, investir em um melhor planejamento urbano que atenda toda a população, com estruturas públicas mais acessíveis as pessoas acima do peso, a fim de aumentar a acessibilidade dos locais públicos e reduzir a gordofobia no Brasil. Além disso, o governo, deve, por meio de projetos de lei e parcerias público-privadas, criar campanhas nas escolas, faculdades e na internet, a respeito da importância do debate sobre a gordofobia e os riscos de pautar a saúde apenas nas medidas corporais como o IMC visando ampliar o debate sobre o assunto. Dessa maneira, se consolidará uma sociedade mais justa pautada nos ideais iluministas.