Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 30/07/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. Contudo, no cenário brasileiro atual, nota-se exatamente o contrário, sobretudo, em relação à questão da gordofobia. Nesse sentido, essa aversão é caracterizada por ataques físicos e psicológicos para com pessoas acima do peso. Assim, essas agressões têm origem na moral social e persistem graças à passividade da governança do país.
Antes de tudo, a determinação de paradigmas comuns entre as pessoas faz com que essas execrações persistam no Brasil. Sob esse viés, segundo a filósofa Marilena Chauí, os animais são seres naturais e os humanos, culturais. Desse modo, os indivíduos são reflexos diretos do meio em que vivem e os padrões determinados pela moral social moldam suas condutas. Dessarte, de acordo com esses modelos impositivos, o excesso de gordura é caracterizado como desleixo e falta de saúde. Assim sendo, esse estigma está presente em diversos espaços no convívio coletivo e faz com que o preconceito seja absorvido e reproduzido pelos sujeitos que recebem essas noções equivocadas. Ademais, a negligência dos órgãos governamentais acerca dessa problemática é notável. Nesse contexto, conforme a Lei da Inércia, de Isaac Newton, a tendência de um corpo é de permanecer parado quando não há nenhuma força sendo exercida sobre ele. Analogamente, a questão da gordofobia não deve ser tratada com atonia. Todavia, o Estado, ao não debater essa temática na esfera pública, naturaliza essa discriminação, visto que esse assunto não está presente nos conteúdos programáticos das escolas públicas, nem em outras instituições oficiais do país. Dessa maneira, pautar esse tópico de forma democrática é de suma importância para romper com essa concepção errônea de que segregar pessoas obesas e com sobrepeso é natural.
Portanto, é evidente a necessidade de agir no combate a essa aversão descabida. Destarte, o Ministério da Educação, com o apoio de entidades de Psicologia, deve, através de verbas públicas, implementar palestras acerca da gordofobia em escolas de toda nação. Dessa forma, esses eventos seriam abertos ao público, além de contarem com a presença de psicólogos que abordem as causas sociais dessa adversidade, bem como apresentem as consequências que essa discriminação gera na saúde mental e na convivência em comunidade das vítimas. Em suma, a partir dessas ações, a população estaria mais consciente acerca de seus estigmas coletivos internalizados e o Estado romperia com sua ociosidade.