Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 30/07/2021
Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, garante o acesso universal à saúde, ao bem-estar e à segurança. Entretanto, ao analisar o impasse da gordofobia no Brasil, nota-se um contexto destoante das promessas constitucionais. Nesse viés, é importante salientar a inferiorização do indivíduo e a falta de debate sobre o tema como os entraves desse quadro, de modo que urgem medidas mitigativas.
Sob esse prisma, é imperativo pontuar que a pessoa gorda ou obesa, imersa na enorme bolha sociocultural de condutas e de perspectivas, mostra-se vulnerável diante do preconceito e da discriminação feita por populações conservadoras e sem conhecimento efetivo, o que configura um cenário de grave inferiorização do indivíduo. Nesse sentido, violando o princípio jurídico da isonomia, percebe-se que esse ‘‘Comportamento de manada’’, estudado pelo psicólogo francês Gustave Le Bon, está presente na sociedade verde-amarela como um fenômeno coletivo no qual os indivíduos agem todos de uma mesma maneira de modo irracional. Analogamente, esse comportamento explosivo de violência está pautado a uma esfera do senso comum de que a pessoa é gorda em virtude, apenas, da falta de vaidade. Longe disso, a dificuldade no acesso à saúde está além da mera beleza, pois as populações de baixa renda, sobretudo, estão marginalizadas do profícuo acesso à saúde pública.
Simultaneamente, é lícito afirmar que a dificuldade supracitada de acessar recursos de tratamento está concentrada, majoritariamente, em grupos desprestigiados de políticas públicas e de recursos financeiros, como a população desempregada e sedentária. Nessa conjuntura, é nítida a falta de debate social para entender e auxiliar esses grupos, em detrimento do livre julgamento que tolhe o bem-estar geral. Para entender tal apontamento, segundo o psicólogo americano Carl Rogers, a empatia é caracterizada pela capacidade de se colocar no lugar do outro, como se enfrentasse a mesma situação. Paralelamente, no entanto, esse conceito parece estar abolido no país tupiniquim, no qual são perceptíveis a escassez de empatia e o recrudescimento da gordofobia e da aversão às diferenças.
Em suma, diante dos desafios supramencionados, torna-se imperiosa a ação do Ministério da Saúde na promoção de rodas de debate em escolas, praças públicas, centros cumunitários e, até mesmo, em igrejas, feitas por meio do contrato com profissionais da saúde, a citar médicos e nutrólogos, com o fito de elucidar a sociedade sobre como ajudar uma pessoa obesa ou acima do peso, propondo alternativas e não estigmas, como a ajuda financeira para consulta médica por intermédio de ‘‘vakinhas’’ virtuais nas redes sociais. Isso deve ocorrer mediante um pacote de políticas públicas e orçamentos a ser incluído no Plano Plurianual. Quiçá, nessa via, as promessas da Constituição poderão ser usufruídas por todos.