Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 30/07/2021
A visão de vida idealizada por Anne Frank, ao escrever seu diário em Amsterdam, era, em outras palavras, um mundo onde ninguém precisasse esperar um único momento para melhorá-lo. No entanto, o que se observa é uma realidade obstante a desejada pela idealista, uma vez que a gordofobia no Brasil apresenta barreiras que limitam a própria cidadania da vítima. Dessa maneira, esse impasse se deve tanto à negligência do Estado, como também a lenta mudança do comportamento social.
Nessa perspectiva, vale reconhecer como esse panorama supracitado deriva da ineficiência governamental, no que se refere à criação de intervenções que coíbam tais recorrências. Acerca disso, é pertinente trazer a ideia do pensador Thomas Hobbes: o Estado deve garantir o bem-estar da população. Não há como negar, portanto, que esse direito é violado devido à insuficiente atuação das autoridades em relação à inibição do preconceito das pessoas com indivíduos gordos. Dessa forma, é inaceitável que o Brasil, país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não seja capaz de garantir que a população não possa gozar de seus direitos garantidos pela Constituição de 1988.
Ademais, a lenta mudança no comportamento social pode ser apontada como um agravante do problema. Em conformidade, o filósofo Michael Foucault destaca a função normalizadora e disciplinar dos micropoderes, como a mídia, na sociedade. Essa instituição, bem como seus usuários, impõem um padrão de beleza no qual as pessoas que não se encaixam são, de certa forma, excluídas do meio social devido ao precoceito sofrido. Nesse sentido, é inadmissível que o Estado, cobrador dos mais altos tributos do mundo, não crie medidas de enfrentamento para sanar com a gordofobia na sociedade brasileira.
Diante dos fatos mencionados, para combater os desafios citados, a família e a escola, primeira e segunda instituição que a criança tem contato, devem ensinar que todas as formas de preconceitos, bem como a gordofobia, são erradas e prejudicam as vítimas, por meio de conversas familiares e debates escolares, com a intenção de formar mais cidadãos empáticos. Além disso, o Estado deve incentivar as escolas a promoverem o exercício da cidadania e desenvolvimento social. Espera-se, como isso, acabar com a gordofobia no Brasil e dar o primeiro passo em direção ao cenário desejado por Anne Frank.