Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 04/08/2021

Edvard Munch, pintor expressionista, na obra “O grito”, retratou a angústia, o medo e a desesperança no semblante de um personagem, rodeado por uma atmosfera de profunda desolação. Para além do quadro, no Brasil, o sentimento de milhares de indivíduos que estão acima do peso, e possuem corpos diferente do padrão estético social é, em muitos casos, semelhante ao ilustrado pelo artista. Desta maneira, uma parcela da população brasileira possui aversão à gordura e às pessoas que estão acima do peso, reproduzindo um comportamento gordofóbico preconceituoso. Assim, é essencial acabar com essas atitudes, que forçam um padrão estético para o “corpo perfeito” e com os comentários ofensivos.

Sob essa perspectiva, é notório que com o crescimento das redes sociais, houve uma padronização dos conceitos de beleza, saúde, corpo ideal e felicidade, ou seja, há uma pressão para todos os indivíduos seguirem esses estigmas. Segundo o Filósofo Byung Chul-Han, o século XXI é dominado por uma sociedade do desempenho, no qual a individualidade é extrema, em desfavor do altruísmo. Nesse panorama, o indivíduo não consegue enxergar e aceitar a pluralidade de seres humanos que os circundam. Nesse sentido, a parcela que não se encaixa nos padrões sociais é excluída e julgada. Portanto, as redes sociais intensificam esse fenômeno, visto que, qualquer um pode fazer comentários de baixo escalão sobre a aparência do próximo sem preocupação em se identificar e sem punições.

Ademais, é justo lembrar que essa pressão estética para se obter corpos que, em muitos casos, são biologicamente impossíveis, juntamente com comentários ofensivos geram transtornos em indivíduos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos alimentares - conjunto de doenças psiquiátricas de origem genética, hereditária, psicológicas e/ou sociais, caracterizados por perturbação na alimentação - afeta cerca de 4,7% da população brasileira e entre os jovens, o índice pode chegar a 10% dos adolescentes brasileiros. Em razão disso, a gordofobia e a luta para entrar no padrão acarreta baixa autoestima, depressão, ansiedade e, em casos mais sérios, tentativas de suicídio.         Indispensável, portanto, a criação de medidas para ameniza e acabar com a gordofobia no Brasil, visando o bem-estar físico e mental de toda população.  Para isso, é mister que o Estado, juntamente, com o Ministério da Saúde, crie um programa gratuito através do Sistema Único de Saúde (SUS) para jovens e adultos que sofrem com gordofobia e/ou outro preconceito e com transtornos alimentares. Desse modo, este deve contém acompanhamento psicológico e nutricional, com exames periódicos para checagem da saúde, além disso, devem atenuar esse comportamento preconceituoso, abordando esse tema com adolescentes. Com a finalidade, de prestar suporte às vítimas e acabar com esse estigma do corpo perfeito. Assim, a sociedade será um local mais harmonioso para toda população.