Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 14/09/2021
A Constituição Federal de 1988 assegura a igualdade e o respeito entre todos os brasileiros. Entretanto, infelizmente, esse direito não é legitimamente assegurado, tendo em vista os atos de gordofobia no Brasil. Dessa forma, é necessário analisar as causas dessa problemática e enfatizar as suas consequências às vítimas.
Em primeiro lugar, destaca-se a histórica assimilação do belo à fisionomia magra. Nesse sentido, é válido enfatizar que, esculturas como “Davi”, de Michelangelo, produzida no início da Idade Moderna, em sua maioria apresentam pessoas com pouca massa corporal e são consideradas como perfeitas, o que enraizou esse ideal de beleza. Nesse viés, é notório que essa visão ultrapassou os séculos e ainda faz-se presente atualmente, uma vez que é comum a alta valorização de indivíduos magros em propagandas na televisão ou nas redes sociais e o pouco espaço oferecido para quem está acima do peso, o que cria uma estranheza social em relação aos corpos gordos. Dessa forma, parte da sociedade passa a não ser representada e, consequentemente, desrespeitada.
Ademais, evidenciam-se as consequências da exclusão de pessoas com maior Índice de Massa Corporal (IMC). De acordo com a teoria “Tábula Rasa”, do filósofo Arthur Schopenhauer, durante sua vida, o ser humano é como uma folha em branco que preenche-se com as suas experiências e seus contatos. Sob essa ótica, é perceptível que, enquanto o ser fenotipicamente acima do peso está inserido em uma sociedade onde ele não há visibilidade e, além disso, é violado pelos grupos sociais, ele tende a absorver essas informações e, assim, desenvolver uma noção de não pertencimento e correr o risco de desenvolver problemas de auto estima, ansiedade ou depressão. Por isso, é indubitável a prejudicialidade do consciente preconceituoso contra as pessoas gordas.
Portanto, há a necessidade de mudar o cenário da gordofobia no Brasil. Para tanto, é papel do Ministério da Saúde a criação de um projeto de assistência a homens e mulheres acima do peso. Isso deve ocorrer por meio do encaminhamento clínico de pessoas com o IMC alto, no sistema público ou particular de saúde, para um atendimento psicológico e nutricional especializado, que conte com profissionais que auxiliem a vítima na questão psíquica, com consultas terapêuticas e nutricionais em busca de uma maior saúde. Feito isso, espera-se a diminuição das ações gordofóbicas no Brasil e a aproximação da legitimação da Carta Magna brasileira.