Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Na obra cinematográfica “Kong Fu Panda”, é retratada a história de Po, um personagem que almejava se tornar um grande lutador; no entanto, por estar acima do peso, sofreu uma série de preconceitos de seus professores e de seus colegas. Nesse sentido, percebe-se que a realidade de Po, mesmo sendo apenas um filme infantil, retrata o contexto brasileiro vigente, haja vista que a gordofobia afeta a sociedade. Dessa forma, é de suma importância analisar, respectivamente, as causas e as consequências desse problema: a trivialidade do preconceito e a dificuldade de mundaças saudáveis.

Diante desse cenário, Hannah Arendt - expoente filósofa alemã - definiu o conceito de Banalidade do Mal: característica atribuída à sociedade contemporânea, a qual naturalizou, no cotidiano, uma gama de preconceitos e de atitudes malévolas. Nesse viés, o fenômeno denunciado por Arendt se mostra presente na mentalidade de muitos brasileiros e se manifesta na forma da gordofobia, na medida em que se inferioriza o indivíduo apenas pelo fato de exceder seu Índice de Massa Corporal, o que fere, de forma direta, a dignidade do cidadão e o obriga a ter que viver em meio a maldade humana. Assim, enquanto o comportamento ofensivo da população for a regra, o respeito aos indivíduos acima do peso será, infelizmente, a exceção.

Ademais, segundo a “Nature Medicine” - revista científica -, as agressões psicológicas e verbais comprometem a saúde de pessoas acima do peso. Nesse prisma analítico, é indubitável que fazer julgamentos e menosprezar qualquer indivíduo pelas suas características físicas é o pior caminho a seguir para fazer esse grupo desenvolver uma vida saudável, uma vez que homens e mulheres com excesso de gordura não se sentem, em diversos momentos, confortáveis ao ir na academia ou começar uma dieta, já que grande parte das pessoas ao redor os desestimulam a seguir nesse caminho. Ou seja, é extremante desagradável estar em busca de uma melhor qualidade de vida e a sociedade agir de forma semelhante aos professores e colegas de Po. Logo, é inviável a luta por um estilo de vida saudável enquanto a gordofobia imperar no Brasil.

Portanto, para que a qualidade de vida de todos os brasileiros seja assegurada, o Estado deve impedir que atitudes preconceituosas atinjam a nação, por meio de campanhas publicitárias, como propagandas midiáticas e cartazes ilustrativos, que incentivem as pessoas a ajudar o próximo ao invés de menosprezar suas dificuldades momentâneas, a exemplo do excesso de gordura. Essa iniciativa poderia se chamar “Em busca da saúde universal” e teria a finalidade de motivar os cidadãos a começarem uma atividade física e, concomitantemente, adquirirem uma alimentação saudável. Feito isso, a gordofobia deixará de ser, em breve, uma realidade no Brasil.