Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 09/08/2021

Rousseau, grande pensador da antiguidade, alegava que todo homem nasce livre, porém por toda a parte se encontra acorrentado. Diante disso, convém depreender os efeitos impostos pela gordofobia no Brasil. Nesse sentido, é lícito afirmar que a falta de representatividade de indivíduos gordos e o preconceito atuam como coadjuvantes para perpetuação desse cenário negativo.

Em primeiro lugar, é lícito afirmar que a representatividade de pessoas acima do peso é relativamente baixa. Em vista disso, segundo dados da SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o mercado de roupas “plus-size”, termo em inglês usado para definir tamanhos acima da numeração 44, é um dos que mais crescem anualmente ao redor do mundo. Entretanto, o crescimento de tal setor não abriu espaço representativo para a inclusão de pessoas gordas, embora a modalidade “plus-size” traga altos lucros para o mercado a sua atenção está focada na representatividade do padrão corporal magro e esbelto idealizado pela sociedade brasileira. Assim, medidas que incluam as pessoas com sobrepeso na sociedade devem ser tomadas.

Outrossim, é imperativo destacar o preconceito como um dos fatores que validam a persistência da problemática. A história em quadrinhos da turma da mônica, demonstra como a personagem principal é motivo de chacota entre os amigos que a aborrecem chamando-a de “gorducha”, e esta usa da violência para se defender. Similarmente fora da ficção, pessoas com sobrepeso sofrem com a discriminação no dia a dia, nas crianças o efeito desta discriminação é potencialmente maior, pois, essa na maioria das vezes sofre “bullying” por parte dos colegas, situação que ao longo do tempo tende a afetar negativamente a saúde psicológica da vítima, ocasionando o surgimento de doenças como ansiedade e depressão.  Dessa forma, é necessário instruir desde cedo as crianças, para que episódios como este sejam cada vez mais raros.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas de modo a coibir a problemática discorrida. Assim, faz-se necessária a atuação do Ministério da Saúde, visto que a gordofobia é uma questão de saúde pública, destinando verba para criação de espaços inclusivos para pessoas obesas, como rodas de conversa, campanhas publicitárias que promovam a inclusão destes indivíduos com intuito de promover maior representatividade e ofertar auxílio profissional gratuito adequado como, por exemplo, psicólogos. Paralelo a isso, é dever das instituições de ensino abordar a temática dos malefícios da gordofobia, através de palestras, de modo a instruir e formar jovens e crianças conscientes. Feito isso, o Brasil poderá caminhar para completude de uma nação livre de suas correntes no que diz respeito ao debate sobre a gordofobia no país.