Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 02/08/2021
Historicamente, a Revolução Técnico-Científico e Informacional fora responsável pelo avanço das mídias sociais para o compartilhamento de informações. No entanto, o aumento do número de pessoas acessando as redes sociais e diversos programas de televisão foram capazes de padronificar diversos aspectos da cultura em geral -roupas, cabelos, ideologias e corpos. Desse modo, o debate sobre a gordofobia no Brasil refere-se a normatização do belo e das necessidades do capitalismo.
A princípio, o processo da criação de padrões estéticos ocorre pelas grandes empresas da moda mas também por pessoas que são favorecidas pelas redes sociais. Portanto, diversos “influenciadores digitais” -pessoas que utilizam das redes sociais como trabalho a fim de mostrar seu estilo de vida, dicas de moda e carisma- tornaram-se extremamente famosos somente por emergirem completamente nos padrões impostos socialmente. O maior exemplo na atualidade são as socialites Kardashian, as quais utilizam de diversas cirurgias plásticas e procedimentos corpóreos para enquadrarem-se no que é tido pela mídia como satisfatório e automaticamente usam desse processo para estimular a manutenção dos padrões para as demais mulheres.
Nesse sentido, o fator primordial no debate à gordofobia é o capitalismo e suas amarras sociais, ao instituir o magro como símbolo de bem estar e sucesso pessoal. A máquina responsável por esse processo fora nomeada, pelos filósofos Adorno e Horkheimer, de Indústria Cultural, isto é, processo de produção em massa tida pelas indústrias ao adaptar-se às artes em geral -teatro, música e cinema. Logo, o processo de manutenção do preconceito relacionado aos diversos corpos dos indivíduos é estimulado por uma mídia que lucra com a dominação dos mesmos e do desejo por mudá-los utilizando roupas menores, produtos farmacêuticos emagrecedores e cirurgias plásticas.
Afinal, para esclarecer e conscientizar os indivíduos perante o debate sobre a gordofobia no Brasil, é imperioso que o Ministério da Educação institua nas escolas públicas mais aulas de filosofia e sociologia com a aplicação de um debate mensal sobre os temas relacionados aos corpos -gordofobia, distúrbio de imagem e padrões de beleza. Para isso, torna-se essencial a presença de profissionais das Universidades Públicas, de cada região, para proporcionar palestras nas escolas a fim de tornar evidente as ferramentas utilizadas pelo capitalismo para a massificação dos corpos, principalmente realizada e compartilhada pelos influenciadores digitais e da Indústria Cultural que mercantiliza todo esse processo. Somente assim, ocorrerá a modificação na forma doentia de visualização dos corpos na atualidade, a fim de tornar a gordofobia um preconceito sanado socialmente a partir da retirada das amarras realizadas pelas grandes empresas.