Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 03/08/2021
No seriado americano “Friends”, a personagem Monica enfrenta o preconceito dos seus colegas de faculdade que a consideravam inferior, por apresentar-se acima do peso. Fora das telas, Monica pode ser considerada uma espécie de metonímia que representa uma grande parcela de brasileiros acima do peso, os quais enfrentam a gordofobia em seu cotidiano. Nesse sentido, a influência das redes sociais e a mentalidade retrógrada intrincada no corpo social potencializam esse preconceito. Nota-se, pois, a premência de debates acerca dessa chaga social, em nome de uma sociedade mais empática.
A princípio, merece ênfase a influência das redes como notório motor da gordofobia no Brasil. De fato, segundo o filósofo Focault a sociedade é permeada por micropoderes que juntos são capazes de constituir um poder maior. Analogamente, as redes sociais, na contemporaneidade, comportam-se como micropoderes ativos na influência e na perpetuação de ideais. Isso porque tais mídias são capazes de criar padrões inalcançáveis de beleza, em que os corpos perfeitos e longuilíneos são exaltados, em detrimento dos corpos dentro dos padrões da normalidade, porém um pouco acima do peso esperado por essas “vitrines”. Posto isso, o comportamento das redes como um micropoder pode ser comprovado a partir do visível crescimento de cirurgias estéticas desnecessárias, como uma tentativa de adequação, daqueles que se encontram acima do peso ideal, o que é frequentemente aceito no espaço midiático.
Outrossim, a mentalidade retrógrada do corpo social é um propulsor da gordofobia. Nesse prisma, segundo o sociólogo Bourdieu em seu conceito de Violência Simbólica, existe um tipo de violência em que a vítima se torna cúmplice do agressor, sem conseguir refletir sobre o que está sofrendo. De forma semelhante, a mentalidade, erroneamente associativa, de que os corpos magros remetem à saúde e gordos á falta dela é um tipo de violência simbólica,visto que menospreza a saúde pessoas gordas e as difama como erradas. Por conseguinte, milhares de pessoas acima do peso podem sofrer transtornos psicológicos, por conta dessa violência disfarçada, sem, muitas vezes, serem capazes de refutar o fato de que o erro está na ideologia antepassada da população.
Portanto, é peremptório o estabelecimento de medidas efetivas para visibilizar a gordofobia que ecoa no corpo social brasileiro. Assim, cabe à Secretaria Especial da Cultura a realização de campanhas educativas - construídas em parceria com o Ministério da Educação -, por meio de propagandas, nos principais aparelhos midiáticos, as quais abordem algumas atitudes gordofóbicas que não podem ser mais toleradas, como a falta de visibilidade das pessoas acima do peso na publicidade, com o fito de destruir esse preconceito enraizado na mente brasileira.