Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 04/08/2021

No início dos anos 40, em uma viagem para o Brasil, o escritor austríaco, Stefan Zweig, encantado com o potencial do país, escreveu o livro “Brasil, país do futuro”, cujo título se tornou uma espécie de apelido para a nação. Entretanto, no limiar do século XXI, Zweig estaria decepcionado, diante de questões que assolam o país, como a gordofobia. Nesse sentido, a idealização de um corpo perfeito, aliado a uma banalização da saúde potencializa essa problemática. São prementes, pois, debates sobre as  razões e os impactos dessa grave patologia social, em nome de um corpo e mente mais saudáveis.

A princípio, é fato que o endeusamento do corpo  fomenta a gordofobia. Segundo o filósofo Locke, em sua teoria da “Tábula Rasa”, o ser humano é um papel em branco a ser preenchido por experiências ao longo da vida. De forma análoga, muitos sujeitos têm sido “preenchidos” por pensamentos preconceituosos e fúteis de divinização de um corpo de características magras. Sob esse prisma, as pessoas têm sido expostas a uma espécie de sociedade do espetáculo, em são encontrados na internet, grande parte das vezes, corpos idealizados e irreais, o que estimula a aversão àqueles acima do peso, por não os considerarem atraentes ou desejáveis. Tal fato pode ser comprovado em um levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) segundo o qual, desde 2010, em média, 217.481 brasileiros se submetem à lipoaspiração a cada 365 dias. Posto isso, os que estão acima do peso padrão tendem a se afastar dessa realidade que os considera “gordos”.

Outrossim, a negligência à saúde está diretamente ligada a essa problemática. Analogamente à terceira lei de Newton, toda ação tem uma reação. Fora da física, a banalização de bons hábitos alimentares pode gerar reações, por vezes, irreversíveis. Isso porque muitos têm medo de aumentar o peso, o que os faz enxergar o próprio corpo de maneira distorcida, capaz de provocar transtornos alimentares, como a anorexia. Ilustra esse fato, a personagem Hanna, da série americana P.L.L,  que, com medo de sofrer “bullying”, por estar acima do peso, vomitava ou evitava comer. Assim, tanto pessoas com baixos índices de massa corporal quanto as com mais sofrem essas consequências, por medo de serem vistas por mal olhos ou de sofrerem preconceitos, preferindo desgastar a sua saúde.

Infere-se, portanto,  que a idealização de um corpo perfeito e a banalização da saúde intensificam a gordofobia. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas, mediante propagandas nos aparelhos midiáticos, em parceria com o Ministério da Saúde, sobre a gordofobia no Brasil e exemplos de atividades, conselhos e informações sobre essa prática e sobre a importância da saúde, acima do beleza do corpo. Destarte, tal ação temo fito de criar uma consciência de que a perfeição não existe e de que todos devem ser tratados com respeito independentemente da aparência.