Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 04/08/2021
Na série americana “Insatiable” a protagonista passa por um processo de emagrecimento e nota que as pessoas ao seu redor passaram a lhe tratar com mais respeito. Fora das telas, o estigma ligado ao sobrepeso também afeta o dia a dia de incontáveis brasileiros que recebem tratamento diferente baseado em sua aparência. Nesse sentido, o preconceito e a influência das mídias sociais impulsionam a gordofobia no Brasil. São prementes, pois, debates sobre as motivações e os efeitos dessa chaga social, em nome da integridade física e mental das vítimas dessa discriminação.
De início, é fato que agressão física e verbal àqueles acima do peso é oriunda de valores pré concebidos e equivocados sobre o conceito de saúde. Nesse contexto, grande parcela da população parece não entrar em sincronia com a humanidade e insiste em acreditar em definições datadas, contrapondo-se ao clichê, “A humanidade está em constante evolução.” Isso porque a ignorância acerca do sistema metabólico e da anatomia humana leva muitos a acreditarem que a saúde pode ser identificada apenas em um corpo magro, o que leva à estigmatização em torno dos indivíduos com sobrepeso. Desse modo, ao ser vítima de gordofobia, o indivíduo pode desenvolver comportamentos e pensamentos característicos de doenças psíquicas, como a depressão e a ansiedade, de acordo com o médico Dráuzio Varela.
Ademais, a mídia influencia e afeta diretamente a visão da sociedade sobre a estética do corpo. Sob esse prisma, a teoria da Tábula Rasa, de Locke afirma que o ser humano é um papel em branco a ser preenchido por conhecimentos ao longo da vida. Analogamente, as mídias sociais imprimem um conhecimento tendencioso no que diz respeito à imagem corporal. é comum ver corpos magros sendo representados e louvados em filmes, passarelas e propagandas porém a falta de representação de figuras midsize e plussize incita a gordofobia no momento em que transtornos alimentares são a chave para alcançar um o padrão corpóreo ‘‘ideal’’.
Depreende-se, portanto, que o pensamento retrógrado e a operação da imprensa catalizam a discriminação de corpos gordos. Dessa forma, é maiúsculo que o Ministério da Saúde promova seminários com nutricionistas e psicólogos, acerca da genética e da aceitação corporal por meio de debates televisionados em rede nacional, com o intuito de desconstruir preconceitos e estereótipos sobre pessoas com sobrepeso e induzir a representação ativa de corpos não-magros nas redes de comunicação. Destarte, atos e pensamentos gordofóbicos, podem ser inibidos, a partir de uma população informada e livre dos idealismos físicos.