Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras, uma “teoria de traste”, cuja principal caratcterística reside em dar valor às coisas frequentemente ignoradas. Segundo a perspectiva barrosiana, faz-se preciso, poranto, também destacar a problemática da negligência quanto as discussões acerca da gordofobia na sociedade brasileira. Desse modo, é importante ressaltar que essa problemática é decorrente da imposição de um padrão de beleza, o que acarreta problemas psicológicos diversos, incluindo transtornos alimentares, o que coloca em risco a saúde física e mental desses indivíduos.

Em primeira análise, deve-se salientar que a imposição de um padrão de beleza é uma das causas da negligência quanto a discussão acerca da discriminação de pessoas acima do peso. Isso ocorre, pois há a esteriotipação da magreza como referência de beleza, em detrimento da aversão à condição física contrária, relacionando-se também, com a disseminação dessas ideias nas redes sociais, somada à escassez de debates informativos sobre o assunto. A exemplo disso, a influenciadora Virgínia Fonseca expôs em suas redes sociais experiências pessoais com produtos e procedimentos estéticos voltados à redução de medidas, disseminando ainda mais a ideia de que se deve buscar estar sempre magra, e, influenciando milhões de pessoas a enxergarem suas próprias realidades por essa ótica. A efeito disso, desencadeam-se, em muitas pessoas, transtornos psicológicos e compulsivos-alimentares, por não se encaixarem nesses parâmetros irreais.

Ademais, cabe expor, que a obesidade é, em sua maioria, apenas um sintoma de problemas psicológicos. Precisamente, a falta de discussão acerca disso, acarreta o preconceito e incompreensão sofridos por esse grupo, tendo como exemplo, o caso da brasileira Lara Nesteruk, que duante anos foi julgada profissionalmente incapaz, por ser uma nutricionista acima do peso, devido a um transtorno alimentar. Em função disso, evidencia-se que os prejuízos causados pela gordofobia estão presentes em todos os aspectos da vida do indivíduo por ela atingido.

Portanto, torna-se evidente que o Ministério da Saúde, junto à Secretaria Especial de Comunicação Social, através do Legislativo, devem criar leis a fim de fiscalizar e proibir a propagação de conteúdos gordofóbicos nas redes sociais, assim como devem incentivar campanhas de conscientização acerca de transtornos psicológicos como causa de obesidade. Dessa forma, contribuirão para o combate ao preconceito, tornando possível a construção de uma sociedade mas inclusiva e justa.