Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/08/2021

Em um episódio da série norte-americana “Grey´s Anatomy” é abordado a questão da gordofobia, no qual uma adolescente de 17 anos faz um procedimento cirúrgico ilegal para evitar o ganho de gordura, devido, sobretudo, a pressão familiar. Fora da ficção, quando se é vislumbrado a atmosfera do estigma social em relação às pessoas acima do peso no Brasil, esse quadro mostra-se preocupante. Nesse sentido, tanto a criação de padrões físicos, quanto a influência midiática corroboram para a permanência dessa problemática no país.

Em primeira estância, é valido ressaltar a visibilidade que o corpo magro recebe como símbolo de saúde e beleza, ao passo que incentiva os ataques gordofóbicos no âmbito coletivo. Segundo o filósofo Michel Foucault, o corpo social contemporâneo atua como agente de normalização, exigindo de todos um comportamento que se adeque aos padrões impostos. Nessa perspectiva, o preconceito associado aos indivíduos em condição de sobrepeso é estimulado pela pressão estética em busca do corpo “perfeito” e gera, com isso,  inúmeras consequências às vítimas. Desse modo, as pessoas que não se encaixam nos moldes produzidos pela sociedade desenvolvem danos psicológicos, muitas vezes, permanentes, além de inúmeros distúrbios alimentares.

Ademais, cabe destacar o papel da mídia como propulsor de uma ótica restrita e excludente, já que são ferramentas usadas, com frequência, para propagar comportamentos que visem o lucro. Assim, conforme a teoria do pensador Theodor Adorno, a indústria cultural é um mecanismo de alienação desenvolvida pela classe dominadora para moldar o consumo dos indivíduos segundo interesses próprios. Sob este viés, a gordofobia é alimentada por uma visão capitalista e retrógrada que vende o porte físico magro como o ideal e o mais aceitável. A partir disso, as pessoas consideradas acima do peso são ridicularizadas no meio virtual e alvos de comentários preconceituosos.

Portanto, são necessárias medidas capazes de reverter esse alarmente quadro nacional. Para tanto, urge que o Ministério da saúde, em parceria com os meios midiáticos, promova, por intermédio de propagandas e campanhas divulgadas nos aparelhos televisivos e aplicativos como Instagram, ações de conscientização social que visem diminuir a ocorrência de ataques gordofóbicos, em especial nas redes sociais, e evitar a associação da pessoa gorda com a falta de saúde. Outrossim, faz-se preciso que as famílias, em conjunto com as instituições de ensino, orientem os jovens, por meio de palestras escolares, no processo de autoaceitação, com o fito de desconstruir a padronização do corpo magro e desenvolver cidadãos críticos. Destarte, será possível prevenir casos como o apresentado na série “Grey´s Anatomy”.