Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 06/08/2021

De origem no contexto medieval, o pecado da gula, um dos sete pecados capitais, é associado ao desejo de comer e beber de forma exagerada e tem a ver com controle em relação ao próprio corpo. Não obstante, o culto à aparência física se faz presente desde primórdios, o que acaba configurando problemas como o debate sobre a gordofobia no Brasil, conduzida, sobretudo, pelos estereótipos de beleza impostos e pela falta de empatia.

A priori, convém destacar que o culto ao corpo franzino é uma realidade. Nesse sentido, tal contexto é evidenciado no filme “Pequena Miss Sunshine”, onde a protagonista, uma garotinha chamada Olive, é confrontada pelo seu pai ao comer um sorvete, pois segundo ele, Olive acabaria engordando, o que seria ruim para ela. De maneira análoga, isso acontece em virtude dos padrões de beleza vigentes que valorizam o magro e, em virtude disso, acabam causando insatisfações nas pessoas que não desfrutam dessa aparência. Desse modo, ter um corpo esbelto acabou se tornando um fato social, que segundo Emile Durkheim é uma maneira de agir, pensar e sentir. Logo, quando um indivíduo não vai de encontro com esse ideal, acaba sofrendo coerção que, nesse caso, configura a gordofobia.

Ademais, vale salientar o conceito de empatia, que se refere ao sentimento de compaixão para com o próximo. Nesse viés, o preconceito contra pessoas acima do peso é um exemplo contrário a essa virtude. Além disso, essa discriminação, muitas vezes, vem disfarçada de uma certa preocupação com a saúde do outro. Contudo, comentários maldosos e críticas podem não ajudar no processo de emagrecimento, como também, atrapalhar o mesmo, favorecendo o desenvolvimento de doenças como ansiedade, que segundo o Ministério da Saúde, gera em alguns casos, vontade compulsiva de comer. Dessa forma, são necessárias ações que revertam tal conjuntura, pois como escreveu Kurt Cobain, em sua carta de suicídio, “o mundo precisa de paz, amor e empatia”.

Portanto, cabe ao governo federal, órgão responsável pela administração pública, promover campanhas de conscientização acerca da gordofobia, por meio de recursos midiáticos como a televisão e as redes sociais. Assim sendo, essas articulações devem evidenciar os efeitos nocivos nas vidas das pessoas que sofrem com esse tipo de discriminação, expondo relatos reais de vítimas. Outrossim, essas campanhas devem estimular o exercício de se colocar no lugar do outro, bem como mostrar sua importância para o bem comum da sociedade. Em síntese, essas ações seriam realizadas com o intuito de tornar os indivíduos mais conscientes dos seus atos e mais empáticos, pois, assim, a gordofobia no Brasil seria minimizada e a população aprenderia a respeitar a diferença, pois como constatou Hannan Arendt, “a pluralidade é a lei da terra”.