Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 07/08/2021
A série americana " Insatiable" retrata história de Patty, uma adolescente vítima de constantes ataques gordofóbicos no ambiente escolar que, posteriormente, desencadearam sentimentos de inferioridade e transtornos alimentares na garota, gerando traumas e baixa autoestima. Fora do mundo das telas, infelizmente, a realidade dos brasileiros acima do peso não é diferente, haja vista que, devido ao estigma ligado ao excesso de peso e à falta de debates nas escolas sobre a aceitação corporal, a gordofobia se perpetua no cenário nacional, fazendo com que essa parcela sinta-se constantemente inferiorizada pela sociedade.
Primeiramente, vale destacar que a discriminação e a aversão à gordura é um estigma repercutido na sociedade que precisa ser combatido. Nesse sentido, de acordo com a escritora Chimmamanda Adichie, a rotulação das pessoas através de certa característica física marcante é responsável pela criação de hisórias únicas que não representem a realidade. Dessa forma, ao julgar os indivíduos como inferiores ou incapazes baseando-se somente em um aspecto estético, a sociedade brasileira alimenta uma visão eugenista e tóxica, difundindo a falsa ideia de que pessoas gordas são descuidadas e não se importam com a saúde.
Além disso, a falta de discussão nas escolas sobre a autoaceitação e o respeito à pluraridade de corpos carece no Brasil, dificultando o combate da problemática. Nesse viés, segundo o filósofo grego Aristóteles, é por meio da educação que os indivíduos formam suas virtudes e opiniões. Portanto, tendo em vista o grau de importância do ensino na formação dos indivíduos, verifica-se que as escolas devem, desde o início da vida escolar, estimular o diálogo sobre a autoaceitação, bem como o respeito às diferenças, o que, na realidade atual não ocorre, conforme evidenciado pelo site Saúde Abril, o qual realata que, comparado a adolescentes magros, os que têm excesso de peso são significativamente mais propensos a passar por isolamento social e a desenvolver transtornos mentais, como ansiedade e depressão.
Tendo em vista os aspectos abordados, verifica-se a importância da adoção de medidas que combatam a aversão à gordura no Brasil. Desse modo, necessita-se que o Ministério da Educação, com o suporte do Ministério da Saúde, insira a discussão acerca da gordofobia nas escolas, por meio de alterações na Base Curricular Comum, as quais afetarão as disciplinas de filosofia, sociologia, biologia e educação física, a fim de contribuir na autoaceitação e erradicação do julgamento estético, para que, por meio da formação baseada no respeito à pluraridade, os gordos deixem de ser inferiorizados na sociedade brasileira.