Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 07/08/2021

A sociedade vem, ao longo do tempo, marcando sua passagem pelo mundo e imprimindo uma identidade formadora de crenças e de valores. Nessa trajetória, etapas e momentos históricos influenciaram na forma como o homem vive. Na Grécia antiga, ocorreu a primeira tentativa de padronização da beleza, com corpos simétricos. Na Idade Média, as imperfeições físicas eram ligadas à pecados e eram escondidas por vestimentas longas. Na Contemporânea, por sua vez, a persistência da gordofobia. Tal conjuntura, fermento da pressão social sob os corpos, provoca inúmeras consequências nas vítimas dessa mazela social.

Em primeira análise, é válido ressaltar que, segundo a revista Veja, cerca de 19 a 42% dos obesos são vítimas da gordofobia. Esse ensejo é consequência do estereótipo magro imposto pela sociedade, e que caracteriza como “errado” os que não fazem parte dessa categoria. Conforme Pierre Boudieu, o que foi criado como instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Todavia, a função desempenhada pela mídia vai contra a ideia de Pierre, uma vez que essas sempre representam o corpo magro e sarado como belo, o que dá origem a um culto ao corpo “ideal” e, por consequência, uma aversão ao corpo gordo.

Consequentemente, é preciso considerar também as implicações sociais provocadas por essa debilidade. Segundo a revista “Nature Medicine”, as agressões psicológicas e verbais comprometem a saúde do obeso. Além disso, a gordofobia está associada ao desenvolvimento de transtornos depressivos, ansiedade, baixa auto-estima, isolamento social e compulsão alimentar. Ora, isso demonstra o quanto esse comportamento social pode afetar a qualidade de vida dos obesos, deixando-os à margem da sociedade. De fato, isso demonstra a negligência da sociedade em relação a essa situação atual e a fragilidade dos vínculos humanos.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Cabe ao Ministério Público, em parceria com o Ministério da Saúde, através de campanhas publicitárias em jornais, revistas, mídias digitais e televisivas, demonstrar o quanto a gordofobia é prejudicial e a necessidade de erradicá-la. Além disso, é necessário haver maior representatividade dos obesos em em revistas, novelas e filmes, exercendo papeis principais, com o intuito de aniquilar a idealização dos corpos magros. Assim, a Idade Contemporânea deixará de ser marcada pela gordofobia.