Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 07/08/2021
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5, assegura que todos são iguais perante a lei sem distinções de qualquer natureza, garantindo-se a igualdade e liberdade. Entretanto, na conjuntura hodierna nacional, essa igualdade não é plenamente exercido, visto que o estigma associado à gordofobia é uma realidade. Nesse contexto, para que a igualitariedade deixe de ser uma utopia, deve-se analisar as principais causas que fomentam o impasse: o preconceito e a midiática.
Em primeiro plano, o preconceito está enraizado na formação dos próprios médicos contra pessoas com obesidade. Desse modo, no livro “Sociologia da Obesidade”, Jean P. Poulain explica que o problema da “obesidade” tem muito mais haver com o moralismo, do que com saúde, pois essa relação acaba passando pela reprodução do estigma do corpo gordo na sociedade atual. Diante disso, observa-se que pessoas gordas ainda são vistas como grandes comedores, que não se controlam, comem o que não é saudável, não fazem exercícios, demonstrando uma interpretação moralista carregada de preconceito.
Em segundo plano, as mídias promovem a gordofobia de forma sistemática em seus produtos: alívio cômico, estepe para a personagem principal, personificação do que é feio, eterna romântica, emagrecimento que transforma. Nesse sentido, na novela Carrossel a personagem Laura é retratada como triste e sonhadora, aparece sempre comendo, enquadrada em grande plano, e por vezes a própria professora a hostiliza por seu ‘’tamanho’’, porque está atrelada ao estereótipo referente aos indivíduos acima do peso. Nesse contexto, percebe-se que as pessoas gordas são sempre representadas como carentes, que precisam emagrecer para obter sucesso na vida ou serem levadas a sério além de sempre serem motivo de piadas.
Portanto, faz-se miste que haja medidas efetivas para solucionar a problemática dos estigmas associados á gordofobia. Para tanto, cabe ao Conselho Federal de Medicina via as Universidades devem incluir no currículo o ensino sobre as causas e os tratamentos dos pacientes obesos e também uma criação de uma grade curricular sobre a ética profissional, dessa maneira teremos um bom atendimento independente da fisionomia. Cabe também, ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, realizar palestras e debates sobre a aceitação dos próprios corpos, para que desde cedo, os estudantes possam reconhecer a beleza em sua fisionomia real, também, é papel da mídia, apresentar campanhas, novelas e outros programas televisivos, que representem e exaltem todos os tipos de corpos, para que a ideia de perfeição corporal possa ser desconstruída.