Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 09/08/2021
Segundo as análises dos sociólogos da Escola de Frankfurt, a homogeneização dos comportamentos e pensamentos tem sido realizada, por meio da Indústria Cultural, isto é, da mídia. Essa padronização pode ser percebida nos tipos físicos que são usados nos anúncios e nas produções cinematográficas, que são sempre magros. Entretanto, nem todos se encaixam nesse padrão e quando são discriminados por isso, caracteriza-se gordofobia, que afeta todas as faixas etárias, desde os brinquedos infantis, até a fase adulta, com a solidificação de uma cultura gordofóbica e da supremacia da aparência física. Essa realidade deve mudar visto que a distinção por peso é inaceitável.
Nesse sentido, os traços da aversão social contra as pessoas acima do peso é percebida desde a infância, de forma velada, mas crucial. Nesse contexto, podem ser citadas as bonecas Barbie, que são largamente comercializadas e um dos principais brinquedos utilizados pelas crianças. Essa, por sua vez, é um retrato fiel do padrão desenhado pela sociedade e não carrega a diversidade de tipos corpóreos existentes. Assim, as crianças que não se veem representadas, se sentem inferiores, porque não se encaixam no que é considerado bonito. Por isso, desde a infância o preconceito acontece e o indivíduo se desenvolve com sequelas de violência psicológica.
Além disso, após a fase da infância e, com o período adolescente e adulto, esses danos mentais são agravados pela supremacia da boa aparência que ocorre hodiernamente, principalmente com a exposição nas redes sociais e a idealização da vida e do corpo perfeito. Assim sendo, esse pensamento é solidificado à cultura, assim como se configura a Teoria do Fato Social, de Durkheim, em que algo negativo é normalizado e se funde com as ideias originais de um povo. Essa banalização do preconceito prejudica ainda mais aqueles que o sofrem, que tentam se encaixar nesse padrão à todo custo, sem levar em conta sua saúde, mas apenas a imagem idealizada e exclusiva, considerada a única, de fato, bonita e idealizada.
Portanto, para que essa realidade mude, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com os recursos midiáticos, promulgue o projeto “Corpo e mente saudáveis”, que consistirá nos esforços para que as pessoas busquem uma vida mais saudável, sem a pressão psicológica e preconceituosa da imagem perfeita. Por isso, devem desenvolver comerciais televisivos que conscientizem a população da importância de uma vida saudável e de que o preconceito contra pessoas gordas é inaceitável. Ademais, a mídia utilizará indivíduos acima do peso para interpretar nas novelas e anúncios a pessoa bonita e cobiçada, bem como nos demais papéis, brinquedos e representações, a fim de que busquem um estilo de vida saudável, de corpo e mente, sem a idealização de um padrão e sem distinções.