Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 31/08/2021
No livro americano “De olho nela”, a personagem principal, Beatrice, sofre diversas críticas e ataques virtuais ao questionar nas redes sociais os padrões estéticos de um programa romântico televisivo que só apresentam pessoas magras como dignas de encontrar o amor verdadeiro. Não distante da ficção, no Brasil, essa é uma realidade vivenciada por grande parcela da população, uma vez que enfrentam os problemas provocados pelo desafio do debate sobre a gordofobia. Dessa forma, ao invés de promover uma solução para a problemática, a má influência midiática e a perpetuação de um estereótipo de corpo ideal corroboram para a permanência dessa situação estarrecedora.
Convém ressaltar, a princípio, a má influência midiática como um empecilho à consolidação de uma solução. Conforme Pierre Bourdieu aquilo que foi criado como instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse contexto, ao invés de elevar o nível informacional dos cidadãos, as mídias contribuem para a perpetuação da problemática, uma vez que representam as pessoas gordas sempre de forma engraçada e caricata como mostra um artigo da revista “Steal The Look” que debate sobre a representatividade negativa das mulheres acima do peso nas mídias. Nesse sentido, acaba-se por criar um preconceito velado contra qualquer um que não se encaixe no padrão magro. Dessa maneira, as situações de caráter gordofóbico tornam-se ainda mais intrínsecos da sociedade brasileira.
Outro ponto relevante nessa temática é a perpetuação de um estereótipo de corpo ideal. Segundo um artigo publicado na revista “AZmina”, a indústria cinematográfica desenvolveu um padrão de imagem ideal a ser transmitido nas mídias, disseminando uma ideia de que o corpo desejado é aquele que não está acima do peso. Dessa maneira, popularizou-se um estereótipo de corpo magro, considerado o ideal pela sociedade provocando, desse modo, ataques preconceituosos aos corpos que “fogem” desse padrão. Sendo assim, o debate sobre a gordofobia faz-se ainda mais necessário no cenário atual brasileiro.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção no que tange à má influência midiática. Assim, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, em conjunto com ONGs especializadas, deve desenvolver ações que visem reverter o problema da influência das mídias. Tais ações devem correr nas redes sociais por meio da elaboração de vídeos que comparem o tratamento dado pela mídia sobre o assunto com relatos de pessoas que viveram o problema. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para dar visibilidade a campanha, a fim de mitigar os problemas provocados pela má influência midiática. Dessa forma, será possível construir um país do qual Beatrice poderá se orgulhar.