Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/08/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas - defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. Todavia, a premissa defendida não é ratificada, uma vez que a gordofobia se caracteriza um grave problema a ser debatido na sociedade brasileira. Esse cenário preocupante ocorre não só pela negligência do Estado, como também pela presença dos padrões corporais na população. Logo, faz-se necessária uma imperiosa análise dessa conjuntura para a consolidação dos direitos humanos.

A princípio, convém ressaltar a omissão estatal no âmito escolar como um fator determinante para a permanência desta problemática. Haja vista que, a ausência de debates acerca da gordofobia e a falta da educação sociemocional nas redes de ensino evidenciam um deficitário sistema educacional, fruto da ineficiência do Estado perante esse nefasto panorama. Tal lacuna no aprendizado, de certa forma, pode colaborar para formação de jovens que carecem de estabilidade emocional, sendo, por sua vez, propensos a praticar o preconceito contra as pessoas gordas. Dessa forma, uma analogia com a citação de Paulo Freire, a qual menciona: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, mostra-se possível, visto que o papel das escolas, formadoras de opinião, é crucial para a mudança desse quadro, e, consequentemente, para o pleno exercício da nação.

Por outro lado, vale pontuar a sociedade como agente deste problema. Em face disso, cabe abordar o período helenístico, em que se destacou pela exaltação da perfeição corporal através de esculturas de homens e mulheres com seus corpos simétricos. Tal paradigma, nesse contexto, se assemelha à realidade brasileira, dado que os indivíduos gordos que sofrem de discrimação, os quais estão submetidos à inferiorização e à exclusão, certamente, demonstram a permanência dos padrões corporais na população contemporânea. Por consequência, essa situação, de certo modo, permite o desenvolvimento da baixa autoestima e de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão, para essas pessoas que diferem dos estereótipos físicos impostos pela sociedade. Assim, torna-se notório que a gordofobia impacta negativamente na qualidade de vida dessas vítimas marginalizadas.

Portanto, medidas para reversão desta conjuntura são fundamentais. Dessa maneira, concerne ao Ministério da Educação, ramo do Estado responsável pela formação civil, potencializar o estudo sobre o tema nas instituições educacionais, que sobretudo deve valorizar a diversidade dos corpos existentes no Brasil, em função de sua importância, por meio de debates e palestras com especialistas no assunto, a fim de diminuir a gordofobia na nação. Feito isso, será possível a construção de uma sociedade mais empática e respeitosa com o próximo.