Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 09/08/2021
O filósofo Platão apresenta, na “Alegoria da Caverna”, a divisão entre a escuridão da ignorância e a luz da sabedoria. Analogamente, a sociedade brasileira encontra-se em uma “alienação obscura”, a qual impede que as pessoas enxerguem a gravidade de problemas, como a gordofobia. Nesse sentido, o preconceito e a imposição de padrões de beleza são alguns dos fatores que corroboram o problema em questão. Dessa forma, são substanciais debates sobre os impactos da gordofobia no país, na busca do “iluminar” da população.
A princípio, é fato que a discriminação potencializa a exclusão social de minorias. Nesse contexto, parafraseando o cantor Lulu Santos, nada do que foi será do jeito que já foi um dia. A partir desses versos, percebe-se o constante movimento do mundo e as mudanças nele ocorridas. Entretanto, o pensamento intolerante dos indivíduos impede essas transformações, tendo em vista que o julgamento pré-concebido sobre pessoas acima do peso é uma das principais causas do isolamento e da exclusão social dos indivíduos que sofrem com os efeitos da gordofobia. Posto isso, em razão do estresse gerado pela discriminação e pelo isolamento, os não magros tendem a cuidar menos da própria saúde, deixando os exercícios físicos e passando a comer mais, de acordo com perquisas da plataforma G1.
Outrossim, a criação e a imposição de padrões de beleza estão diretamente atreladas ao estigma social da obesidade. Sob esse prisma, o psicanalista Antonio Quinet defende em seu livro “Um olhar a mais” que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, é perceptível o olhar alienado de muitos, o que fomenta a padronização social e a intolerância, impondo consequentemente um conceito fixo de beleza. Isso porque, o ser humano nunca está completamente satisfeito com as condições em que vive e, a partir disso, cria metas e ideais inalcançáveis e os têm como verdade absoluta, como pode ser visto nas mídias sociais, as quais são as principais responsáveis por propagar e impor padrões impossíveis. Assim, é inquestionável o impacto dessa definição de “modelo certo” a se seguir e a se admirar, uma vez que elas são as motivadoras do bullying e outras formas de crítica que, muitas vezes, levam o indivíduo a desenvolver transtornos psicológicos significativos.
Portanto, que o prejulgamento e a criação de moldes e de estereótipos que definem a noção do belo geram a gordofobia no Brasil. Logo é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas, por meio de propagandas nas mídias sociais, sobre os impactos da gordofobia e de outros tipos de preconceito e sobre a padronização social, com exemplos de atitudes intolerantes sofridas por indivíduos com sobrepeso e de ideais inalcançáveis, com o fito de “abrir os olhos e a mente” da população em relação à inexistência do perfeito e da exclusão social proveniente desses modelos.