Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 12/08/2021

O filme da Netflix “Dumplin” retrata a história de uma jovem que decidiu participar de um concurso de beleza para acabar com o padrão imposto, já que ela estava acima do peso. Nesse viés, embora seja reconhecidamente importante persistir contra a pressão estética, é notório os desafios em relação ao debate sobre a gordofobia. Isso ocorre em razão da discriminação da sociedade e omissão escolar frente a essa situação.

Diante desse cenário, é preciso considerar como os indivíduos acima do peso são vistos pela sociedade. Nesse sentido, a obra cinematográfica, lançada em 2018, “Sexy Por Acidente”, conta a história de Renee, que após uma queda começou a se olhar com admiração e aceitar seu corpo com ele é, apesar de muitos cidadãos ainda a julgarem por seu peso. Sob essa ótica, distante da ficção cenas como essas são comuns no Brasil. Isso ocorre devido a manutenção de um pensamento gordofóbico na população, na qual mesmo indivíduos que estão felizes com esses seus corpos sofrem essa discriminação, tendo em vista que os estigmas e tabus estão enraizados socialmente. Desse modo, percebe-se que com a permanência da gordofobia, pessoas gordas se sentirão cada vez mais segregadas e desrespeitadas.

Outrossim, é necessário enfatizar como a passividade escolar colabora negativamente para a existência da gordofobia. Nessa lógica, sabe-se que a escola possui papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e na formação do caráter do cidadão. Entretanto, ainda que seja um debate importante, é visível que as unidades de ensino não suscitam a discussão sobre as atitudes gordofóbicas, visto que de acordo com a análise divulgada pela Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, na rede pública, 53% dos estudantes que se consideram gordos dizem que sofrem bullying. Por conseguinte, evidencia-se que com o prolongamento das ações preconceituosas e a falha nas intervenções escolares, a sociedade como um todo continuará discriminando indivíduos acima do peso.

Torna-se claro, portanto, que medidas são necessárias para erradicar a questão da gordofobia no Brasil. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve inserir, no currículo escolar, temas referentes a aceitação e quebra dos padrões estéticos. Tal fato pode ser feito por meio de aulas práticas, com a exibição de filmes e documentários ilustrativos e também por intermédio de palestras auxiliadas por profissionais especializados no assunto. Para que assim, a sociedade possa ressignificar a herança histórica preconceituosa e educar jovens empáticos. Além disso, cabe ao Ministério da Comunicação disseminar nos meios virtuais, temáticas socioeducativas voltadas para a população com atitudes gordofóbicas, com o fito de consientizar os indivíduos sobre o impacto negativo dessas ações.